A Bahia passou a ocupar posição de destaque no cenário nacional de roubos de cargas no primeiro trimestre de 2026. Levantamento divulgado pela empresa nstech aponta que o estado teve crescimento expressivo na participação dos prejuízos financeiros registrados em operações monitoradas pelas gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech.
De acordo com o estudo, a participação baiana no valor total das perdas nacionais saltou de 0,7% para 9,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Com isso, a Bahia passou a ocupar a terceira posição entre os estados com maiores prejuízos relacionados ao roubo de cargas, atrás apenas de Rio de Janeiro e São Paulo.
O relatório também mostra avanço da criminalidade em toda a região Nordeste. A participação regional nos prejuízos nacionais subiu de 13,7% para 20,2% no período analisado.
Segundo a análise da nstech, o perfil das quadrilhas vem mudando nos últimos anos. Em vez de grandes volumes, os criminosos passaram a priorizar cargas com maior valor agregado e facilidade de revenda no mercado ilegal.
Entre os produtos mais visados, os medicamentos passaram a ocupar posição de destaque. Em 2025, esse segmento representava apenas 1,7% dos prejuízos monitorados. Já no primeiro trimestre de 2026, a participação subiu para 22,3%, ficando atrás apenas das cargas diversas e fracionadas, responsáveis por 36,6% das perdas. O setor alimentício aparece logo em seguida, com 21,9%.
Para Cristiano Tanganelli, vice-presidente de Inteligência de Mercado da nstech, o comportamento das quadrilhas mudou significativamente. Segundo ele, os criminosos passaram a focar em cargas com maior liquidez e retorno financeiro mais rápido, o que amplia os riscos principalmente nas operações urbanas e de distribuição.
O estudo revela ainda que 40,4% dos prejuízos registrados no trimestre envolveram cargas avaliadas acima de R$ 1 milhão. Dentro desse grupo, quase metade das perdas estava ligada ao transporte de medicamentos.
Rodovias baianas entram no radar das operações criminosas
O levantamento aponta que os trechos urbanos concentraram 38,5% dos prejuízos nacionais no período, percentual mais que o dobro do registrado no ano anterior.
Entre as rodovias com maior incidência aparecem a BR-101, responsável por 21,6% dos prejuízos monitorados, e a BR-116, com 13%. A BA-093 também entrou no levantamento, registrando 3,7% das perdas nacionais.
Na análise específica do mês de janeiro, a BA-093 chegou a concentrar 13,6% dos prejuízos monitorados em todo o país, ficando atrás apenas da BR-101.
As rodovias BR-101 e BR-116 são consideradas corredores estratégicos para o transporte de mercadorias na Bahia, conectando regiões industriais, polos de consumo e centros de distribuição com outros estados brasileiros.
A preocupação com o aumento das ocorrências também já mobiliza operações policiais. Em fevereiro deste ano, a Polícia Rodoviária Federal intensificou ações de fiscalização e combate ao roubo de cargas em trechos da BR-101, no sul da Bahia, especialmente entre os municípios de Gandu e Itabuna, após investigações relacionadas a veículos suspeitos de participação em crimes na região.