CAMINHONEIROS PEDEM SALÁRIOS MAIS COMPATÍVEIS COM OS VALORES TRANSPORTADOS NOS CAMINHÕES

por Setceb | dez 9, 2024 | Uncategorized

Não se chega a um consenso sobre o percentual, mas é dito que o setor de transporte rodoviário de carga movimenta entre 60% e 80% de tudo o que é produzido no Brasil. Isso se deve a uma série de ineficiências em outros modais, que não conseguem atender a logística brasileira com a mesma agilidade dos caminhões.

E, dentro de cada caminhão, sendo mais de 2,5 milhões de veículos, de acordo com a ANTT, está um caminhoneiro. Esses trabalhadores movimentam diariamente, por milhares de quilômetros, uma infinidade de tipos de cargas, das mais baratas, onde um baú cheio de mercadorias não chega aos R$ 20 mil, a cargas de mais de R$ 1 milhão. Isso em um único caminhão.

Para os caminhoneiros, a relação entre os valores transportados no caminhão, o próprio valor do caminhão, que hoje pode passar de R$ 1,2 milhão, e os salários pagos a eles, é muito desproporcional. De acordo com o portal de empregos Glassdoor, os caminhoneiros brasileiros recebem um salário médio mensal de R$ 2.750,00.

E a média salarial, levando em consideração o valor do salário mínimo, que hoje está em R$ 1.412,00, vem caindo ao longo dos anos. Em 2015, um caminhoneiro recebia em média 4,5 salários mínimos. Hoje ele recebe 2,9 salários mínimos. Considerando a média salarial de 2010, o caminhoneiro recebia na época 5,77 salários mínimos, o que aumenta a diferença de forma gritante.

Claro que em muitos casos os caminhoneiros recebem outras verbas além dos salários base, como bonificações e comissão, que em alguns casos podem superar o valor bruto de R$ 10 mil, com viagens mais longas ou internacionais (Mercosul).

No final das contas, o que se vê é um descontentamento crescente dos motoristas profissionais, com muitos largando a profissão, especialmente em longas viagens, e buscando outras colocações mais próximas de casa ou que ofereçam salários considerados mais compatíveis.

Esse movimento, que fica cada vez maior, já levou países, como Estados Unidos e Japão, a enfrentarem grandes crises logísticas nos últimos anos. Em um dos casos, no Porto de Los Angeles, na Califórnia, haviam cerca de 16 contêineres para cada caminhão, o que causou uma enorme fila de navios que gerou desabastecimento e grandes atrasos nas entregas de mercadorias.

O Japão, por sua vez, busca criar uma solução nada convencional para o transporte de cargas, com a construção de uma gigantesca esteira transportadora de contêineres para movimentar cargas entre Tokio e Osaka, numa distância de 500 quilômetros. O valor que de ver investido supera os R$ 150 bilhões.

Apesar de o salário não ser a única causa do abandono da profissão, ele é uma das principais, e o Brasil poderá enfrentar grandes problemas nos próximos anos por falta de caminhoneiros.