ESTUDO MOSTRA QUE CAMINHÕES BRASILEIROS PODEM SER MAIS EFICIENTES AMBIENTALMENTE QUE VEÍCULOS EUROPEUS

por Setceb | mar 19, 2026 | Uncategorized

Veículos de carga que operam no Brasil podem apresentar desempenho ambiental mais eficiente do que caminhões europeus, dependendo do critério utilizado na análise. Um estudo desenvolvido na Escola Politécnica da USP indica que as emissões de dióxido de carbono por tonelada-quilômetro no país podem ser até 35% menores, destacando a importância de métricas adequadas na avaliação da sustentabilidade no transporte.

A pesquisa foi baseada na adaptação de uma metodologia amplamente utilizada na Europa para cálculo de consumo energético e emissões de veículos pesados. A ferramenta, conhecida como VECTO, foi ajustada para refletir as condições específicas do transporte brasileiro, levando em consideração fatores como características das rodovias, perfil das rotas logísticas e limites de peso permitidos no país.

Um dos principais diferenciais apontados pelo estudo está na capacidade de carga dos veículos. Enquanto na Europa o peso bruto total costuma ficar em torno de 40 toneladas, no Brasil combinações veiculares podem atingir até 74 toneladas, o que altera significativamente a análise de eficiência ambiental.

Apesar de caminhões mais pesados apresentarem maior consumo absoluto de combustível, a possibilidade de transportar volumes maiores permite diluir as emissões ao longo de uma quantidade maior de carga, reduzindo o impacto ambiental por unidade transportada.

Para validar essa análise, o estudo simulou o desempenho de um caminhão típico do mercado brasileiro em uma rota real de escoamento de grãos, ligando a região Centro-Oeste ao Porto de Paranaguá, no Paraná.

Os resultados mostraram que, mesmo com consumo total de diesel mais elevado, o índice de emissões por tonelada transportada foi inferior ao registrado em caminhões europeus com padrões ambientais mais avançados.

Importância das métricas na avaliação ambiental

Na comparação direta, os modelos europeus analisados apresentaram emissões próximas de 29 gramas de CO₂ por tonelada-quilômetro, enquanto o veículo brasileiro avaliado ficou abaixo de 20 gramas no mesmo indicador.

Esse resultado reforça a necessidade de utilizar métricas compatíveis com a realidade operacional de cada país, especialmente em economias com grande dependência do transporte rodoviário, como é o caso do Brasil.

De acordo com Eduardo Fortes, responsável pelo estudo, análises baseadas apenas no consumo total de combustível ou na emissão por veículo podem levar a interpretações distorcidas sobre a eficiência ambiental do setor.

Em países de dimensões continentais, onde longas distâncias e grandes volumes de carga fazem parte da rotina logística, a eficiência por tonelada transportada se torna um fator determinante na avaliação do impacto ambiental.

Segundo o pesquisador, mesmo com uma frota considerada mais antiga em comparação a mercados europeus, a escala operacional do transporte brasileiro contribui para compensar, do ponto de vista ambiental, a eficiência por unidade de carga movimentada.

Desafios e necessidade de modernização da frota

Apesar dos resultados positivos, o estudo também destaca pontos de atenção. A idade média elevada da frota brasileira ainda representa um desafio relevante, impactando negativamente a eficiência energética global do sistema.

Nesse contexto, a modernização dos veículos surge como um fator essencial para ampliar os ganhos já observados, aliada à adoção de critérios técnicos mais adequados para a avaliação ambiental do transporte.

O estudo também chama atenção para a importância do setor de transporte de cargas no cumprimento das metas de descarbonização, reforçando que análises alinhadas à realidade operacional podem contribuir para a formulação de políticas públicas mais eficazes.

Ao evitar comparações simplificadas entre mercados com estruturas logísticas distintas, é possível construir estratégias mais consistentes para reduzir as emissões e avançar rumo a um transporte mais sustentável.