FALHAS NA GESTÃO DE SEGUROS EXPÕEM CARGAS E GERAM PREJUÍZOS MILIONÁRIOS NO TRANSPORTE RODOVIÁRIO

por Setceb | abr 30, 2026 | Uncategorized

Empresas seguem acumulando perdas significativas no transporte de cargas no Brasil por um problema recorrente: a falta de clareza sobre quem é responsável pela proteção da mercadoria. Essa falha, muitas vezes negligenciada, faz com que cargas circulem com uma falsa sensação de segurança, enquanto os riscos reais só se tornam evidentes no momento do sinistro.

Embora o roubo de cargas ainda seja um dos principais desafios do setor — com mais de 10 mil ocorrências registradas em 2024 e prejuízos estimados em R$ 1,2 bilhão — especialistas apontam que parte relevante dessas perdas tem origem em falhas internas, especialmente na gestão de risco e na definição de responsabilidades contratuais.

Um dos equívocos mais comuns é acreditar que o seguro contratado pela transportadora garante proteção total da carga. Na prática, esse tipo de apólice cobre apenas situações específicas, como acidentes envolvendo o veículo, e não inclui riscos frequentes no país, como roubos, extravios ou avarias operacionais.

Essa confusão entre responsabilidade e cobertura efetiva é o ponto central do problema. Muitas empresas operam sem entender os limites das apólices e acabam descobrindo essas restrições apenas quando já enfrentam prejuízos consolidados.

No modelo atual, a transportadora é obrigada a contratar o seguro de responsabilidade civil, que cobre danos em casos como colisões e tombamentos. No entanto, essa proteção é limitada e não contempla os principais riscos enfrentados no dia a dia das operações logísticas.

Já o seguro contratado pelo embarcador tem papel complementar e mais abrangente, pois protege diretamente o valor da mercadoria. Esse tipo de cobertura é fundamental para reduzir a exposição financeira, principalmente em operações mais complexas ou de maior valor agregado.

A ausência de alinhamento entre as partes cria um cenário crítico: lacunas de cobertura, custos duplicados e conflitos jurídicos. São problemas que, muitas vezes, passam despercebidos na fase de negociação, mas se tornam inevitáveis após a ocorrência de um sinistro.

Em um ambiente marcado por alta incidência de roubos e margens cada vez mais pressionadas, tratar o seguro como uma simples formalidade operacional pode comprometer seriamente a saúde financeira das empresas. A definição clara das responsabilidades e a estruturação adequada das apólices se tornam, portanto, fatores estratégicos para reduzir perdas e garantir maior segurança nas operações logísticas.

Diante desse cenário, o setor reforça a necessidade de profissionalizar a gestão de riscos, adotando uma visão mais técnica e preventiva para evitar prejuízos recorrentes no transporte rodoviário de cargas.