TENSÕES GLOBAIS PRESSIONAM CUSTOS DO TRANSPORTE E EXIGEM NOVAS ESTRATÉGIAS FINANCEIRAS

por Setceb | abr 1, 2026 | Uncategorized

Os últimos anos foram marcados por eventos geopolíticos que vêm impactando diretamente a economia global e, de forma significativa, o Brasil. A guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022 e ainda em curso, já provocou efeitos relevantes sobre os preços de fertilizantes, combustíveis e alimentos, afetando o agronegócio e pressionando a inflação no país.

Na sequência, as tensões entre Estados Unidos e China ampliaram disputas comerciais e tecnológicas, reposicionando o Brasil como um importante fornecedor de commodities no cenário internacional.

Mais recentemente, a instabilidade no Oriente Médio, envolvendo países como Israel e Irã, além do grupo Hamas, trouxe novos reflexos ao mercado global de energia. A valorização do petróleo tem impactado diretamente o preço do diesel, elevando os custos do transporte no Brasil. De acordo com a NTC&Logística, o diesel S10 já registra aumento em torno de 10%, o que representa aproximadamente R$ 0,60 por litro nas distribuidoras, com tendência de continuidade dessa pressão.

Esse cenário afeta diretamente o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), um dos pilares da logística nacional. O diesel representa entre 35% e 50% do custo do frete, sendo o principal componente da estrutura operacional das transportadoras.

Diante desse contexto, especialistas apontam a necessidade de uma gestão financeira mais estratégica. Para Roberta Caldas, presidente da Transpocred, fatores externos têm exigido maior preparo das empresas. Segundo ela, o aumento dos custos operacionais, aliado a um ambiente de juros elevados, demanda mais planejamento, disciplina e decisões bem fundamentadas por parte dos gestores.

Com isso, cresce a relevância de soluções financeiras mais alinhadas à realidade do setor produtivo. O cooperativismo de crédito surge como uma alternativa importante, oferecendo condições mais adequadas ao perfil das transportadoras e maior proximidade no relacionamento com os empresários.

Além de facilitar o acesso ao crédito, as cooperativas vêm se consolidando como parceiras estratégicas, especialmente para pequenas e médias empresas que enfrentam maior pressão por eficiência e competitividade em um cenário de custos elevados.

Segundo Roberta, o diferencial desse modelo está na capacidade de entender as necessidades do transportador e oferecer suporte na tomada de decisão. Mais do que financiamento, trata-se de proporcionar acompanhamento e segurança para enfrentar períodos de instabilidade.

Com a permanência de incertezas no cenário global, a tendência é que os desafios relacionados a custos continuem exigindo adaptação das empresas. Nesse ambiente, o cooperativismo reforça seu papel como elo entre o sistema financeiro e o setor produtivo, contribuindo para a sustentabilidade e a continuidade das operações no transporte rodoviário de cargas.

A capacidade de antecipar movimentos e estruturar uma gestão sólida será determinante para que empresas atravessem esse período com equilíbrio e estejam preparadas para aproveitar futuras oportunidades de crescimento.