Uma mudança no perfil dos caminhoneiros brasileiros começa a ganhar espaço nas estradas. Motoristas da chamada Geração Z, formada por jovens nascidos entre o fim da década de 1990 e o início dos anos 2010, têm recorrido cada vez mais à contratação de ajudantes para realizar o enlonamento dos caminhões durante as operações de carga e descarga.
A prática busca reduzir o desgaste físico, aumentar a produtividade e acelerar o tempo de permanência nos pontos de carregamento, especialmente em operações com carrocerias maiores, onde a colocação e retirada da lona exige esforço e atenção redobrada.
Embora muitos motoristas ainda realizem o procedimento por conta própria, a atividade já conta com profissionais especializados. A função de enlonador, inclusive, é reconhecida em acordos coletivos de trabalho, ao lado das atividades de ajudante de motorista e carregador.
Além da agilidade operacional, a contratação desses profissionais também contribui para a segurança. Estudos sobre ergonomia apontam que o enlonamento manual está entre as atividades com maior risco de quedas e lesões musculares, principalmente quando executado sobre a carroceria sem equipamentos adequados.
Normas de segurança adotadas em operações portuárias também reforçam a necessidade de treinamento, análise de riscos e, em alguns casos, da atuação de mais de um trabalhador durante o procedimento.
Outro ponto importante é que a cobertura da carga continua sendo obrigatória em diversos tipos de transporte. A Resolução nº 946 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) determina que cargas sólidas a granel transportadas em carrocerias abertas estejam totalmente cobertas por lona ou dispositivo equivalente, devidamente fixado para evitar o derramamento de materiais durante o trajeto.
Com foco em eficiência, segurança e otimização das operações, a contratação de ajudantes para o enlonamento passa a fazer parte da rotina de muitos caminhoneiros mais jovens, refletindo uma mudança na forma de conduzir o trabalho no transporte rodoviário de cargas.