A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta quinta-feira que acompanha com preocupação a confirmação, na noite de quarta-feira (15), de uma nova tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo a entidade, a sobretaxa agrava um cenário que já vinha pressionando as exportações nacionais e amplia a insegurança para empresas dos dois países, em um momento no qual o setor de transporte de cargas já lida com custos operacionais elevados e demanda por exportação sensível a choques externos.
Os efeitos do aumento das tarifas americanas, segundo a CNI, já são sentidos de forma crescente pela indústria brasileira: no primeiro semestre deste ano, 20 dos 27 estados registraram queda nas exportações para o mercado americano na comparação com igual período de 2025. O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou em nota que, diante do anúncio, “o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira”, acrescentando que o país “não pode poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) reforçou que a nova tarifa cria uma diferença relevante em relação a fornecedores de outros países que disputam os mesmos compradores nos Estados Unidos, e que o impacto efetivo vai depender dos produtos alcançados, da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento dado a concorrentes internacionais. Entre as possíveis consequências listadas pela federação estão a substituição de fornecedores brasileiros por rivais de outros países, a pressão por redução de preços e margens, e a renegociação de contratos, prazos e condições comerciais já firmados.
Para o setor de transporte rodoviário de cargas, o desdobramento é indireto, mas relevante: menor volume de exportações tende a reduzir a demanda por fretes voltados a portos e terminais de embarque, especialmente em cadeias ligadas a bens industriais, siderurgia e produtos químicos, que respondem por parcela expressiva do comércio afetado. A tarifa de 25% passa a valer a partir de 22 de julho, segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).