O setor de transporte rodoviário de cargas enfrenta um cenário de maior restrição ao crédito. A inadimplência das empresas do segmento alcançou o maior patamar dos últimos 15 anos, chegando a aproximadamente 4,5% nas operações de crédito para pessoas jurídicas, índice significativamente superior ao observado em períodos de menor risco.

De acordo com especialistas do mercado financeiro, o aumento da inadimplência está relacionado a uma combinação de fatores, como a manutenção das taxas de juros em níveis elevados, o crescimento dos custos operacionais e a redução das margens de rentabilidade das transportadoras.

Além das dificuldades impostas pelo cenário econômico, a gestão financeira também tem sido apontada como um fator determinante para a saúde das empresas. A avaliação é de que muitas transportadoras concentram esforços na expansão das receitas, mas acabam deixando em segundo plano o controle do fluxo de caixa, dos custos operacionais e da capacidade de pagamento.

Esse contexto tem levado instituições financeiras a adotarem critérios mais rigorosos na concessão de crédito. Antes da aprovação de financiamentos, são analisados aspectos como demonstrações financeiras, endividamento, geração de caixa e a sustentabilidade das operações.

A seletividade também foi observada durante a execução do programa Move Brasil, voltado à renovação da frota. Mesmo com linhas de crédito subsidiadas, diversas solicitações não foram aprovadas por falta de condições financeiras para assumir novos compromissos.

Especialistas destacam que o acesso ao crédito deve estar alinhado ao planejamento financeiro da empresa e à sua capacidade de honrar as obrigações futuras. Nesse cenário, fortalecer a gestão, controlar despesas e investir em eficiência operacional tornam-se medidas essenciais para preservar a competitividade e garantir a sustentabilidade dos negócios no transporte rodoviário de cargas.