NORDESTE GANHA SUA PRIMEIRA CONCESSÃO RODOVIÁRIA FEDERAL: CONSÓRCIO VENCE LEILÃO DA ROTA DOS SERTÕES COM DESÁGIO DE QUASE 20%

por Setceb | jul 8, 2026 | Uncategorized

Depois de anos sem nenhuma rodovia federal concedida à iniciativa privada, o Nordeste finalmente entrou para esse mapa. Em leilão realizado pelo governo federal, o Consórcio 116 Sertões — reunindo NEO Invest, Mota-Engil e Infra I Fundo de Investimento — arrematou a concessão da Rota dos Sertões, trecho de 502 quilômetros que soma pedaços das rodovias BR-116 e BR-324 entre o anel rodoviário de Feira de Santana (BA) e o município de Salgueiro (PE), oferecendo deságio de 19,60% sobre a tarifa de pedágio prevista no edital.

O contrato vale por 30 anos e prevê R$ 4,1 bilhões em obras (Capex) somados a R$ 4,4 bilhões em despesas de operação e manutenção ao longo da concessão (Opex). Ao todo, 16 municípios passam a conviver com a nova gestão privada da rodovia — treze deles na Bahia (entre eles Feira de Santana, Serrinha, Tucano e Euclides da Cunha) e três em Pernambuco (Salgueiro, Cabrobó e Belém do São Francisco).

A lista de intervenções prometidas é extensa: cerca de 96 quilômetros de pista duplicada, mais de 44 quilômetros de vias marginais, acostamento novo em trecho superior a 107 quilômetros, contorno rodoviário para tirar o tráfego pesado do centro de Serrinha, dez bases de atendimento ao usuário e uma série de passarelas, interseções e melhorias em cruzamentos urbanos ao longo do percurso. O empreendimento nasce dentro da Estruturação de Concessão de Rodovias Federais 2, iniciativa conjunta do BNDES com o Ministério dos Transportes que integra a carteira de projetos do Novo PAC.

Para o ministro dos Transportes, George Santoro, o resultado do leilão é prova de que o país voltou a atrair capital estrangeiro para infraestrutura: segundo ele, este foi o 24º leilão rodoviário da atual gestão, “quatro vezes mais do que a quantidade realizada pelo governo anterior”. Já Marcus Cavalcanti, secretário especial do Programa de Parcerias de Investimentos, destacou a chegada de fundos financeiros que até pouco tempo evitavam esse mercado, prevendo R$ 0,5 trilhão em projetos qualificados no PPI até o fim do ano. Na ponta da operação, o que se espera é uma rodovia mais segura e fluida para escoar a produção agrícola e industrial de uma das regiões historicamente mais carentes de investimento rodoviário do país.