Menos de um em cada dez caminhoneiros brasileiros tem menos de 30 anos, segundo pesquisa da CNT de 2025 — um retrato que ajuda a explicar por que a renovação da categoria caminha tão devagar no país. A idade média dos motoristas profissionais é de 45,3 anos, e o outro extremo da pirâmide etária também preocupa: 12,9% já passaram dos 60. É nesse cenário de escassez estrutural — a CNT estima que 65,1% das transportadoras enfrentam falta de motoristas, com déficit nacional calculado em 120 mil profissionais — que a Mercedes-Benz do Brasil decidiu reforçar sua aposta em formação técnica, renovando a parceria com a Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte) e mantendo 15 caminhões cedidos em comodato para uso em aulas práticas.
O problema não é exclusividade brasileira: a IRU, entidade internacional do setor rodoviário, calcula em 2,9 milhões as vagas de motorista não preenchidas em 18 mercados pesquisados — 11% de toda a força de trabalho do segmento. E ele se agrava à medida que os próprios caminhões mudam: telemetria, conectividade, sistemas de segurança e transmissões automatizadas tornaram a condução uma atividade mais técnica, na qual o comportamento do motorista influencia diretamente consumo de combustível, desgaste da frota e custos de manutenção — exigindo uma formação bem mais sofisticada do que a de uma geração atrás.
A Fabet, com 30 anos de história e unidades em Concórdia (SC) e Mairinque (SP), formou mais de 22 mil pessoas somente em 2025, com portfólio que cobre desde condução econômica até operação de veículos articulados. Uma frente que ganha destaque dentro dessa estratégia é a capacitação de mulheres para o transporte de cargas, via o programa “A Voz Delas”, da própria Mercedes-Benz — aposta na maior presença feminina como um dos caminhos possíveis para equacionar o déficit de mão de obra do setor.
O caso da Mercedes-Benz não é isolado: a escassez de mão de obra qualificada vem sendo tratada por diferentes elos do setor — sindicatos patronais, transportadoras e fabricantes concorrentes — como um problema estrutural que, se não endereçado, tende a pressionar ainda mais o custo do frete nos próximos anos, à medida que a demanda por transporte rodoviário segue crescendo mais rápido do que a reposição de motoristas qualificados no mercado de trabalho.