O custo do transporte rodoviário de cargas avançou de forma significativa em abril, refletindo a combinação entre o aumento dos combustíveis e a atualização dos pisos mínimos de frete. Levantamento da Edenred Repom aponta que o valor médio pago por quilômetro rodado chegou a R$ 8,66 no mês, resultado 8,39% superior ao registrado em março.
Entre os principais fatores para a elevação está o encarecimento do diesel, que continua sendo o principal componente dos custos operacionais das transportadoras. Influenciado pelo cenário internacional e pelas oscilações do mercado de petróleo, o combustível apresentou reajustes consecutivos ao longo do período, impactando diretamente a formação dos preços do frete.
Dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) mostram que o diesel comum alcançou média nacional de R$ 7,46 por litro, enquanto o diesel S-10 chegou a R$ 7,61. Em comparação aos meses anteriores, os aumentos acumulados ultrapassaram 6%, ampliando a pressão sobre empresas de transporte e motoristas autônomos.
Outro elemento que contribuiu para a valorização do frete foi a atualização da tabela dos pisos mínimos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Como as novas regras passaram a produzir efeitos completos apenas em abril, diversas operações logísticas e contratos precisaram ser reajustados para atender aos novos parâmetros estabelecidos pela agência.
Mesmo diante da elevação dos custos, a movimentação de cargas permaneceu aquecida. O agronegócio manteve ritmo intenso de exportações e escoamento da produção, enquanto a indústria apresentou sinais de recuperação, fortalecendo a demanda por transporte em diferentes regiões do país.
O ambiente econômico mais favorável permitiu que parte dos aumentos fosse absorvida pelo mercado, sustentando a valorização do frete rodoviário. Segundo a Edenred Mobilidade, a combinação entre atividade econômica aquecida e custos operacionais mais elevados explica o desempenho observado no período.
Para os próximos meses, o setor acompanha com atenção a evolução dos preços internacionais do petróleo e seus reflexos sobre o diesel. Caso haja uma redução nos custos dos combustíveis, a tendência é de desaceleração no ritmo de crescimento do frete. Ainda assim, a expectativa é de continuidade da demanda elevada por transporte, impulsionada principalmente pela safra agrícola e pela retomada gradual da atividade industrial brasileira.