MONTADORAS CHINESAS AVANÇAM NO BRASIL E ELEVAM DISPUTA NO MERCADO DE CAMINHÕES

por Setceb | maio 22, 2026 | Uncategorized

A presença das montadoras chinesas no mercado brasileiro de caminhões entra em uma nova fase. Diferentemente da primeira tentativa de expansão registrada há cerca de 15 anos, as fabricantes asiáticas agora chegam ao país apostando não apenas na venda de veículos, mas também em estrutura industrial, rede de concessionárias, pós-venda, conectividade e suporte operacional para conquistar espaço no transporte rodoviário de cargas.

A avaliação é de Thiago Ferreira Braga, gerente executivo da Fenatran, maior feira do transporte rodoviário da América Latina, que será realizada entre os dias 9 e 13 de novembro, no São Paulo Expo, em São Paulo.

Segundo o executivo, o cenário atual é completamente diferente da primeira ofensiva chinesa no Brasil. Na visão dele, as empresas asiáticas desembarcam mais preparadas para competir em um mercado considerado altamente exigente e tradicional.

“O transportador não compra apenas o caminhão. Ele busca disponibilidade operacional, assistência técnica, conectividade e pós-venda eficiente”, destacou.

A transformação tecnológica do setor também favorece esse movimento. O avanço dos caminhões elétricos, o crescimento do uso de gás natural e biometano e a busca das transportadoras por redução de custos operacionais abriram espaço para novas tecnologias e fabricantes.

A edição de 2026 da Fenatran terá forte presença das montadoras chinesas. Entre as empresas confirmadas estão BYD, Foton, JAC Motors, Sany, Sinotruk e XCMG. Das 13 fabricantes participantes da feira, seis possuem origem chinesa ou ligação direta com grupos asiáticos.

Apesar da expansão das marcas, o mercado brasileiro continua competitivo. Segundo a organização da feira, o volume total de vendas de caminhões não cresceu na mesma velocidade da chegada de novos participantes, o que deve intensificar a disputa por participação de mercado.

Com isso, fabricantes tradicionais como Mercedes-Benz, Scania, Volvo, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Iveco e DAF passam a enfrentar concorrência ainda maior, principalmente nas áreas de serviços, tecnologia embarcada e disponibilidade mecânica.

A Fenatran 2026 também deve reforçar o conceito de “multicaminhos” adotado pela indústria de veículos comerciais no Brasil. A proposta envolve diferentes soluções energéticas para atender a diversidade operacional do país.

Além dos modelos elétricos, a feira terá caminhões movidos a gás, biometano, etanol e sistemas híbridos. A avaliação do setor é de que as dimensões continentais do Brasil dificultam uma transição baseada exclusivamente em eletrificação, exigindo diferentes tecnologias conforme o tipo de rota e operação logística.

Outro destaque da edição será a ampliação do espaço “Fenatran Experience”, área voltada a testes práticos de caminhões. O espaço contará com pista de aproximadamente dois quilômetros para demonstrações de aceleração, frenagem e dirigibilidade em diferentes cenários operacionais.

A organização também pretende repetir o volume de negócios registrado na última edição da feira, realizada em 2024, quando foram movimentados cerca de R$ 15 bilhões em negociações. O valor representou mais que o dobro do registrado em 2022 e consolidou a Fenatran como um dos principais termômetros do setor de transporte rodoviário de cargas no país.

Mesmo diante de um cenário econômico marcado por juros elevados, crédito mais caro, tensões geopolíticas e desaceleração em alguns segmentos do agronegócio, a expectativa do setor é manter o nível de investimentos e renovação de frota.

Segundo a organização da feira, o foco desta edição será aumentar a presença de visitantes qualificados, especialmente transportadoras, operadores logísticos e gestores de frota com poder de decisão de compra.

O avanço das montadoras chinesas é acompanhado de perto pelo mercado, que vê uma mudança gradual no perfil da concorrência dentro do transporte rodoviário brasileiro, cada vez mais voltado à tecnologia, conectividade, eficiência operacional e redução de custos logísticos.