O transporte rodoviário de cargas registrou forte valorização no início do segundo trimestre de 2026. Levantamento da Edenred Repom aponta que o valor médio do frete por quilômetro rodado avançou 8,39% em abril, chegando a R$ 8,66. No mês anterior, a média estava em R$ 7,99.
O movimento foi influenciado principalmente pela alta do diesel e pela atualização da tabela dos pisos mínimos de frete da Agência Nacional de Transportes Terrestres, que passou a produzir efeitos integrais nas operações ao longo de abril.
O aumento do combustível voltou a pressionar diretamente os custos das transportadoras e caminhoneiros. Dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log mostram que o diesel comum encerrou abril com média nacional de R$ 7,46, enquanto o diesel S-10 alcançou R$ 7,61.
No acumulado do período, os reajustes ultrapassaram 6%, elevando o impacto sobre operações de longa distância e segmentos com maior demanda logística, como agronegócio, indústria e distribuição urbana.
Além do diesel, o setor também sentiu os reflexos da nova tabela de frete da ANTT. Como os novos coeficientes começaram a valer na segunda metade de março, abril foi o primeiro mês com aplicação completa dos reajustes nos contratos e negociações de transporte.
Com isso, operadores logísticos e embarcadores passaram a absorver custos maiores nas movimentações de carga, acelerando o repasse para os preços do frete em diferentes regiões do País.
Mesmo diante desse cenário de pressão operacional, a demanda por transporte permaneceu aquecida. O agronegócio continuou impulsionando o fluxo logístico com o avanço da safra e o crescimento das exportações brasileiras.
Ao mesmo tempo, indicadores da atividade industrial também mostraram recuperação. O Índice de Gerentes de Compras (PMI), divulgado pela S&P Global, registrou crescimento em abril e atingiu o maior nível dos últimos 14 meses.
Segundo Vinicios Fernandes, diretor da Edenred Mobilidade, a combinação entre cenário internacional, combustíveis mais caros e atividade econômica aquecida explica a valorização do frete rodoviário no período.
Para os próximos meses, o setor acompanha principalmente os desdobramentos do mercado internacional de petróleo e os impactos das tensões geopolíticas sobre o preço dos combustíveis.
A expectativa é que uma possível estabilização do diesel possa reduzir a pressão sobre os custos logísticos. Ainda assim, especialistas avaliam que a demanda por transporte deverá seguir elevada com a continuidade da safra agrícola e a recuperação gradual da indústria brasileira.