Mesmo com o avanço no número de novos registros no transporte rodoviário de cargas, o perfil dos profissionais que ingressam na atividade tem gerado preocupação entre especialistas. Em 2025, mais de 51 mil caminhoneiros autônomos passaram a integrar o RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas), marcando um dos maiores volumes dos últimos anos.
O dado, por si só, indica um movimento positivo de entrada no setor. No entanto, quando analisado mais a fundo, revela um desafio estrutural importante: a baixa renovação da mão de obra.
A idade média dos novos profissionais ficou em torno de 42 anos, muito próxima da média geral da categoria, que gira em torno de 46 anos. A maior concentração de novos registros está entre pessoas de 35 a 50 anos, com destaque para a faixa entre 38 e 44 anos. Além disso, ainda há uma participação significativa de motoristas acima dos 50 anos iniciando na profissão.
Esse cenário mostra que o ingresso na atividade continua acontecendo de forma tardia. Em muitos casos, são trabalhadores que migraram de outras áreas ou que só conseguem investir em um caminhão após anos de atividade profissional em outros setores.
Jovens seguem distantes da profissão
Enquanto isso, a presença de jovens no transporte rodoviário segue em queda. A participação de pessoas com menos de 25 anos é cada vez menor, o que reforça a dificuldade do setor em atrair novas gerações.
Entre os principais motivos estão os altos custos para entrar na atividade, como a compra do caminhão, manutenção, combustível e as dificuldades de acesso a crédito. Além disso, as condições operacionais da profissão, como longas jornadas, tempo fora de casa e desafios na rotina da estrada, também afastam novos interessados.
Avanço feminino ganha destaque
Por outro lado, o levantamento traz um ponto positivo: o crescimento da participação feminina. As mulheres já representam mais de 16% dos novos registros, o maior índice já observado, superando com folga a média atual da categoria.
Esse movimento indica uma transformação gradual no perfil do setor, com maior diversidade e abertura para novos perfis profissionais.
Desafio para o futuro do transporte
O contraste entre o aumento no número de novos cadastros e o envelhecimento dos motoristas evidencia um ponto crítico para o futuro do transporte rodoviário de cargas.
Sem a entrada de uma nova geração, o setor pode enfrentar dificuldades para manter sua capacidade operacional nos próximos anos. Atrair jovens, melhorar as condições da profissão e ampliar o acesso ao crédito passam a ser fatores estratégicos para garantir a continuidade e a sustentabilidade da atividade no país.