A renovação da frota, o incentivo ao transporte coletivo e a modernização dos modelos de cobrança de pedágio estão entre as principais propostas defendidas pelo Sistema Transporte para acelerar a descarbonização da mobilidade no Brasil. As medidas foram apresentadas nesta terça-feira (14), durante a 30ª edição da Intermodal South America, realizada em São Paulo.
Segundo o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, a transição para um setor mais sustentável exige estratégias adaptadas à realidade de cada modal e às condições atuais da infraestrutura nacional. Para ele, diferentes desafios demandam soluções específicas e complementares.
Durante a abertura do evento, Vander destacou que o Brasil vive um momento favorável para investimentos estruturais, impulsionado pelo aumento dos aportes em infraestrutura de transporte, que já ultrapassam R$ 400 bilhões em projetos de concessão e privatização.
Entre as prioridades apontadas pela entidade está a renovação da frota circulante, considerada a principal medida de curto prazo para reduzir emissões no transporte rodoviário. Isso porque veículos mais modernos apresentam índices significativamente menores de emissão de poluentes quando comparados aos modelos antigos.
Atualmente, a idade média da frota brasileira de caminhões ultrapassa 15 anos, podendo chegar a mais de 22 anos entre transportadores autônomos. Segundo dados apresentados pelo Sistema Transporte, mais da metade dos caminhões de frete em circulação no país possui mais de 15 anos de fabricação.
Diante desse cenário, a entidade propõe a criação de um modelo de IPVA progressivo, com cobrança maior para veículos mais antigos, como forma de estimular financeiramente a renovação da frota e desestimular a permanência de caminhões envelhecidos em operação.
Outro ponto debatido foi a eletrificação da mobilidade. Apesar de reconhecer avanços da eletromobilidade, o Sistema Transporte avalia que a tecnologia ainda enfrenta limitações importantes para aplicações de longa distância, especialmente no transporte pesado, devido à necessidade de infraestrutura de recarga e disponibilidade de energia limpa em escala nacional.
Nesse contexto, a entidade defende que a eletrificação é atualmente mais viável para operações leves e urbanas, enquanto o transporte de média e longa distância ainda depende de soluções complementares e de maior amadurecimento tecnológico.
Além da renovação e eletrificação, o Sistema Transporte também reforçou a importância de estimular o uso do transporte coletivo, destacando seu menor impacto ambiental quando comparado ao transporte individual.
A intermodalidade também foi apresentada como peça-chave para uma logística mais eficiente e sustentável. A proposta envolve ampliar a integração entre diferentes modais, como rodoviário, ferroviário e hidroviário, para otimizar o escoamento de cargas e reduzir a dependência exclusiva das rodovias.
Segundo representantes do setor, o transporte ferroviário pode emitir entre 30% e 40% menos dióxido de carbono por tonelada transportada em comparação ao modal rodoviário, enquanto o transporte hidroviário apresenta eficiência energética significativamente superior, especialmente em operações de grande volume.
O Sistema Transporte também ressaltou a necessidade de ampliar o debate sobre o uso estratégico das hidrovias brasileiras, destacando o potencial ainda pouco explorado da malha navegável nacional.
Por fim, a entidade reforçou que já mantém iniciativas voltadas à sustentabilidade, como o programa Despoluir, voltado à avaliação ambiental de frotas, e a Coalizão do Transporte pela Descarbonização, que reúne empresas e instituições em torno de metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa do setor até 2050.
Segundo o Sistema Transporte, a combinação entre renovação de frota, diversificação modal, incentivo ao coletivo e investimentos em infraestrutura será essencial para que o Brasil avance em direção a um transporte mais eficiente, competitivo e ambientalmente sustentável.