Com a maior presença de biodiesel na composição do diesel brasileiro e motores cada vez mais sensíveis, a qualidade do combustível passou a ter impacto direto na durabilidade dos veículos, nos custos de manutenção e até nas emissões no transporte rodoviário.
Embora o debate sobre descarbonização traga à tona temas como eletrificação e novas fontes de energia, o diesel segue sendo o principal combustível da matriz logística no país — e vem evoluindo junto com as exigências ambientais e tecnológicas.
Segundo Marco Antonio Lassen, especialista em combustíveis da Raízen, o diesel deixou de ser apenas um insumo e passou a desempenhar papel estratégico na eficiência do motor e na vida útil dos componentes, especialmente em caminhões mais antigos.
Evolução ambiental e tecnológica
Desde a década de 1990, o Brasil avança nas fases do PROCONVE, que estabelece limites cada vez mais rigorosos de emissões.
Em 2012, com a fase P7 (Euro 5), foi introduzido o diesel S10 e os sistemas de pós-tratamento com uso do Arla 32. Já em 2023, o país passou a operar na fase P8 (Euro 6), elevando ainda mais o nível de exigência ambiental.
Diesel com biodiesel exige mais cuidados
Atualmente, o diesel comercializado no Brasil possui baixo teor de enxofre e conta com cerca de 15% de biodiesel na mistura (B15), com previsão legal de avanço para B20 até 2030.
Esse componente renovável é fundamental para reduzir a pegada de carbono, mas traz novos desafios técnicos. O biodiesel pode oxidar com o tempo, absorver umidade e favorecer a formação de resíduos no sistema, aumentando o risco de entupimentos, desgaste de peças e falhas operacionais.
Combustível de baixa qualidade eleva custos
Essas características tornam o uso de diesel de baixa qualidade um fator de risco para as frotas. Problemas como entupimento de filtros, desgaste de bicos injetores e falhas na bomba de combustível tendem a se intensificar, elevando custos de manutenção e aumentando a incidência de paradas não programadas.
Nesse contexto, o uso de combustíveis aditivados ganha relevância. De acordo com Lassen, caminhões mais antigos podem ser ainda mais sensíveis à qualidade do diesel.
Diesel aditivado melhora desempenho e durabilidade
Produtos como o Shell V-Power Diesel atuam diretamente na limpeza do sistema, melhorando a pulverização do combustível e a eficiência da combustão.
Entre os benefícios estão:
Maior durabilidade de bicos injetores e bomba de combustível
Redução da formação de resíduos e fuligem
Melhora na partida a frio
Menor risco de corrosão
Estabilização do biodiesel dentro do tanque
Segundo o especialista, em condições adequadas, a vida útil de componentes como bicos injetores pode aumentar significativamente, podendo durar até quatro vezes mais em comparação com sistemas expostos a combustíveis de menor qualidade.
Além disso, a melhora na combustão pode gerar ganhos de até 3% no consumo, dependendo da condução do motorista.
Impacto direto nas emissões
Outro efeito relevante está na redução de emissões. Mesmo em veículos mais antigos, uma combustão mais eficiente diminui a emissão de fumaça preta e material particulado, contribuindo para um transporte mais sustentável.
Uso correto do diesel é essencial
Lassen também alerta para a importância do uso adequado do combustível. Caminhões antigos podem utilizar diesel S10 sem restrições e com benefícios. No entanto, veículos fabricados a partir de 2012, projetados para esse padrão, não devem utilizar diesel S500, sob risco de danos mecânicos e problemas legais.
Atualmente, cerca de 70% do diesel rodoviário comercializado no Brasil já é S10, indicando uma transição consolidada no mercado.
Economia imediata pode sair mais cara
Para muitos transportadores, especialmente autônomos, o preço mais baixo na bomba pode parecer vantajoso no curto prazo. No entanto, essa economia pode ser ilusória.
Custos adicionais com manutenção, maior consumo e risco de falhas acabam compensando negativamente o valor economizado na compra do combustível.
“O combustível deixou de ser apenas um insumo e passou a ser parte da mecânica do caminhão. O casamento entre o motor e o diesel correto nunca foi tão importante como agora”, resume Lassen.
Diesel segue central no transporte brasileiro
Mesmo com o avanço de novas tecnologias, o diesel continua sendo a principal fonte de energia do transporte rodoviário no Brasil.
Nesse cenário, a escolha do combustível adequado se apresenta como uma das formas mais acessíveis e imediatas de melhorar o desempenho dos veículos, reduzir custos operacionais e minimizar impactos ambientais — sem necessidade de grandes investimentos em renovação de frota.