INDÚSTRIA DE IMPLEMENTOS RODOVIÁRIOS RECUA NO INÍCIO DE 2026, MAS MOSTRA SINAIS DE RECUPERAÇÃO EM MARÇO

por Setceb | abr 7, 2026 | Uncategorized

A indústria de implementos rodoviários iniciou 2026 em ritmo mais moderado, mas apresentou sinais consistentes de recuperação ao longo de março. Dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários indicam que o setor registrou queda de 13,68% no primeiro trimestre, com 30.841 unidades vendidas, frente às 35.728 no mesmo período de 2025.

Apesar do recuo no acumulado do ano, o desempenho de março trouxe um indicativo positivo. Foram emplacadas 12.211 unidades no mês, crescimento de 23,7% em relação a fevereiro. Na comparação com março do ano passado, quando foram registradas 11.966 unidades, o avanço foi de aproximadamente 2%, puxado principalmente pelo segmento pesado e pela demanda do agronegócio.

De acordo com o presidente da entidade, José Carlos Spricigo, o resultado mais fraco no início do ano está diretamente ligado à base elevada de comparação. Isso porque o primeiro trimestre de 2025 ainda refletia os impactos das vendas realizadas durante a Fenatran. A expectativa é que, a partir do segundo trimestre, o mercado apresente um comportamento mais alinhado à realidade atual.

Queda atinge segmentos leve e pesado

Na análise por segmento, tanto a linha pesada quanto a leve registraram retração no acumulado do trimestre. O segmento de reboques e semirreboques somou 15.732 unidades, queda de 14,61% em relação ao ano anterior. Já as carrocerias sobre chassis atingiram 15.109 unidades, recuo de 12,69% na mesma base de comparação.

Mesmo assim, ambos os segmentos demonstraram reação ao longo de março, acompanhando a retomada da atividade econômica, especialmente impulsionada pelo escoamento da safra agrícola.

Agro e carga seca lideram demanda

O ranking dos implementos mais vendidos no período reforça a força do agronegócio na sustentação do setor. Os semirreboques graneleiros lideraram as vendas, refletindo o avanço da safra, seguidos pelos baús de carga seca sobre chassi e pelos semirreboques baú, que mantêm demanda constante na distribuição e logística geral.

Também aparecem entre os destaques as carrocerias abertas, semirreboques tanque, porta-contêineres, basculantes e implementos frigorificados, evidenciando a diversidade de aplicações no transporte rodoviário.

Juros altos e sazonalidade influenciam mercado

O desempenho do setor no início do ano é resultado de uma combinação de fatores. Além da base de comparação elevada, o ambiente de juros ainda altos continua limitando a renovação de frota. Por outro lado, a demanda sazonal do agronegócio tem sustentado a atividade no curto prazo.

Programas de incentivo, como o Move Brasil, também contribuem para manter o nível de vendas, ainda que o cenário macroeconômico imponha cautela por parte dos investidores.

Expectativa é de recuperação gradual

A Anfir projeta que o segundo trimestre trará uma leitura mais precisa do desempenho do mercado em 2026, já sem a influência direta da Fenatran nos números comparativos.

Caso o ritmo de crescimento observado em março se mantenha, especialmente no segmento pesado, o setor poderá recuperar parte das perdas registradas no início do ano. Ainda assim, fatores como juros elevados e custo de crédito seguem como pontos de atenção para a evolução da demanda ao longo do ano.

Destaques de vendas no trimestre

Entre os reboques e semirreboques, os graneleiros e implementos de carga seca lideraram as vendas, seguidos por basculantes, baús e porta-contêineres — com forte concentração em operações ligadas ao agronegócio.

Já nas carrocerias sobre chassis, os baús de alumínio e frigorificados dominaram o ranking, impulsionados pela logística urbana e pela distribuição, consolidando-se como principais soluções para o transporte de cargas em centros urbanos.