ALTA DO DIESEL EXPÕE CUSTOS OCULTOS E ACELERA BUSCA POR EFICIÊNCIA NAS TRANSPORTADORAS

por Setceb | abr 6, 2026 | Uncategorized

O recente aumento no preço do diesel voltou a pressionar o transporte rodoviário de cargas e trouxe à tona ineficiências operacionais que já faziam parte da rotina de muitas empresas. Embora o impacto da alta atinja todo o setor, os efeitos variam conforme o nível de gestão adotado por cada transportadora.

Segundo o diretor executivo da VEIC, Rodrigo Somogyi, o custo do diesel vai além do valor apresentado nas bombas. Há componentes pouco visíveis que, somados, podem elevar significativamente o gasto das frotas.

Ágio encarece o combustível nas operações

Um dos principais fatores apontados é o uso de cartões tradicionais de abastecimento, bastante comuns no mercado. Esses modelos costumam incluir taxas adicionais — conhecidas como ágio — que impactam diretamente o valor final pago por litro.

Na prática, esse acréscimo pode chegar a cerca de 10%. Isso significa que, mesmo antes de qualquer reajuste no preço do diesel, a empresa já opera com um custo mais elevado. Quando ocorrem aumentos no mercado, o impacto é ainda mais intenso para quem utiliza esse modelo.

“Quando o diesel sobe, ele sobe para todos. A diferença está no valor que cada empresa já paga antes desse aumento”, explica o executivo.

Falhas de gestão aumentam desperdícios

Além do preço, o nível de controle operacional também influencia diretamente no custo final. Problemas como abastecimentos acima da capacidade do tanque, desvios de combustível, possíveis fraudes e falta de controle por rota são exemplos de perdas que podem comprometer o resultado financeiro.

Diferenças no desempenho entre motoristas e ausência de monitoramento do consumo também contribuem para elevar os gastos. Sem gestão adequada, esses desvios passam despercebidos e se acumulam ao longo do tempo.

Por outro lado, empresas que investem em ferramentas de controle conseguem identificar essas falhas com mais rapidez, corrigindo desperdícios e melhorando a eficiência da operação.

Redução de custos pode chegar a 30%

A combinação entre eliminação do ágio e melhoria na gestão operacional pode gerar economias relevantes. Em empresas com menor nível de controle, a redução pode atingir até 30% no custo do diesel.

Esse percentual considera aproximadamente 10% relacionados à retirada do ágio e até 20% provenientes de ganhos operacionais. Já empresas mais estruturadas também encontram oportunidades, com redução média de 10% ao eliminar taxas e ganhos adicionais de cerca de 5% com ajustes na operação.

Rede de abastecimento impacta produtividade

Outro fator relevante é a disponibilidade de postos para abastecimento. Quando o motorista precisa sair da rota para encontrar um local que aceite determinado meio de pagamento, a operação gera o chamado “quilômetro morto”.

Esse deslocamento adicional aumenta o consumo de combustível e reduz a produtividade da frota. Quanto maior a rede de aceitação, menor a necessidade desses desvios e, consequentemente, menor o custo indireto do diesel.

“Em alguns casos, o caminhão precisa rodar quilômetros extras apenas para abastecer, o que encarece ainda mais a operação”, destaca.

Pressão nos custos impulsiona mudanças

Diante da alta do diesel, transportadoras têm intensificado a busca por soluções que reduzam custos e aumentem o controle sobre o consumo. Empresas que ainda não utilizavam sistemas de gestão passaram a considerar sua adoção, enquanto aquelas mais estruturadas estão revisando processos para eliminar despesas adicionais.

Nesse cenário, o aumento do diesel não apenas pressiona as margens, mas também acelera uma transformação importante no setor. A forma como o combustível é comprado, controlado e gerenciado passa a ser um diferencial competitivo cada vez mais relevante para as transportadoras.