INDÚSTRIA DE PNEUS BUSCA CRÉDITO PARA FORTALECER PRODUÇÃO NACIONAL E REDUZIR AVANÇO DAS IMPORTAÇÕES

por Setceb | ago 7, 2026 | Uncategorized

A indústria brasileira de pneumáticos articula junto ao governo federal a criação de uma linha de financiamento destinada à aquisição de pneus produzidos no país. A proposta, apresentada pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), busca fortalecer a fabricação nacional e oferecer melhores condições para transportadores renovarem suas frotas diante da crescente participação de produtos importados no mercado brasileiro.

Segundo a entidade, o projeto prevê utilizar mecanismos já existentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com adaptações nas condições de financiamento, como prazos de carência maiores e juros reduzidos. A expectativa é que a iniciativa possa ser colocada em prática ainda em 2026.

De acordo com o presidente-executivo da Anip, Rodrigo Navarro, a medida foi inspirada em programas voltados ao setor de transporte, nos quais o profissional consegue utilizar o equipamento financiado antes de iniciar o pagamento das parcelas. A proposta permitiria que caminhoneiros e empresas adquirissem pneus nacionais com condições mais favoráveis, reduzindo o impacto financeiro da compra.

Para o setor, o momento é considerado estratégico. Depois do diesel, os pneus representam um dos principais custos das operações de transporte rodoviário de cargas, tornando qualquer medida que facilite sua aquisição um fator importante para a redução das despesas das transportadoras.

As discussões sobre o projeto envolvem diferentes áreas do governo, entre elas os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, da Fazenda, do Meio Ambiente e da Agricultura. Segundo a Anip, estudos técnicos e propostas já foram entregues, restando agora a definição sobre a implementação das medidas.

Além do financiamento, a entidade também defende maior rigor na fiscalização das importações de pneus. Uma das sugestões é a retomada do licenciamento não automático, permitindo uma análise mais detalhada dos produtos que entram no país, especialmente em relação aos preços declarados, ao peso e ao cumprimento das exigências ambientais.

Os números apresentados pela associação mostram a dimensão do desafio enfrentado pela indústria nacional. No mercado de reposição de pneus para caminhões, aproximadamente 73% das vendas no primeiro semestre foram de produtos importados, enquanto os fabricantes instalados no Brasil responderam por apenas 27%. Grande parte desses pneus tem origem na China.

Segundo a Anip, a preocupação não está relacionada apenas ao crescimento das importações, mas também às condições de concorrência. A entidade defende que todos os fabricantes, nacionais ou estrangeiros, sejam submetidos às mesmas exigências ambientais, tributárias e comerciais, evitando distorções que prejudiquem a competitividade da indústria brasileira.

Outro ponto levantado diz respeito à sustentabilidade. A associação afirma que estudos indicam maior capacidade de reforma dos pneus produzidos no Brasil, característica que amplia sua vida útil e reduz a geração de resíduos. Para o setor, a substituição desses produtos por modelos de menor durabilidade também pode afetar empresas especializadas em recapagem e toda a cadeia ligada à produção de borracha natural.

A indústria brasileira de pneumáticos reúne atualmente cerca de 35 mil empregos diretos e aproximadamente 500 mil indiretos. Nos últimos cinco anos, o setor investiu cerca de R$ 8 bilhões e projeta novos aportes de R$ 5 bilhões nos próximos anos. Entretanto, a continuidade desses investimentos dependerá, segundo a entidade, de um ambiente de negócios mais equilibrado.

Para a Anip, além de facilitar o acesso ao crédito pelos transportadores, é necessário adotar políticas que garantam concorrência justa entre produtos nacionais e importados. A expectativa é que as primeiras medidas sejam anunciadas ainda este ano, fortalecendo a indústria, preservando empregos e contribuindo para a competitividade do transporte rodoviário de cargas.

Fonte: Transporte Mundial