PREÇO DO FRETE RODOVIÁRIO RECUA EM JULHO COM QUEDA DO DIESEL, MAS SAFRA DE MILHO PODE PRESSIONAR PREÇOS

por Setceb | ago 14, 2026 | Uncategorized

O preço médio do transporte rodoviário de cargas no Brasil recuou 0,46% em julho, encerrando o mês em R$ 8,63 por quilômetro rodado, ante R$ 8,67 registrados em junho. A queda acompanhou a redução dos preços do diesel no período e ocorreu em meio a mudanças nas regras do piso mínimo do frete e à forte demanda por caminhões para o escoamento da safra de milho.

Os dados constam do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), divulgado nesta quinta-feira, que mede mensalmente o custo do frete rodoviário no país. Segundo o levantamento, julho marcou o terceiro mês consecutivo de queda nos preços dos combustíveis desde o pico registrado em abril.

O diesel comum encerrou julho com preço médio nacional de R$ 6,83 por litro, recuo de 2,15% frente ao mês anterior. Já o diesel S-10 caiu 1,66% no período, para R$ 7,10 por litro, seguindo a mesma tendência de queda observada nos demais derivados de petróleo.

No campo regulatório, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou, no fim de julho, a Resolução nº 6.084, que atualizou os Coeficientes de Custos de Deslocamento (CCD) utilizados no cálculo do piso mínimo do frete. As reduções nos coeficientes variaram entre 0,002% e 2,18%, a depender do tipo de operação.

Ainda em julho, foi sancionada a Lei nº 15.485/2026, que regulamenta a fiscalização do piso mínimo do frete e torna permanentes regras que vigoravam por meio da Medida Provisória nº 1.343/2026. A nova legislação estabelece mecanismos para que os custos operacionais das transportadoras sejam considerados na formação do preço mínimo de frete.

Vinicios Fernandes, diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade, afirmou que julho foi marcado por um ambiente mais favorável para o transporte rodoviário, com a queda consecutiva dos preços do diesel contribuindo para aliviar os custos operacionais das transportadoras no período.

Apesar do alívio nos custos de combustível, a demanda por caminhões tende a aumentar com o avanço da colheita da segunda safra de milho, o que pode limitar o efeito da queda do diesel sobre o preço final do frete. Em Mato Grosso do Sul, um dos principais polos produtores, 37,3% da área plantada já havia sido colhida até o fechamento do levantamento, o equivalente a cerca de 823,5 mil hectares.

O cenário macroeconômico também compõe o pano de fundo da matéria: a taxa básica de juros (Selic) foi reduzida para 14% ao ano, o que tende a melhorar gradualmente as condições de financiamento para o setor, ainda que os efeitos sobre a atividade econômica costumem ser defasados.

A indústria brasileira, por outro lado, mostrou sinais de desaceleração em julho. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) industrial caiu de 50,8 pontos em junho para 47,5 em julho, configurando a retração mais intensa em cinco meses e um patamar abaixo da marca de 50 pontos, que separa expansão de contração da atividade. Ainda assim, a confiança dos industriais para os próximos 12 meses melhorou, passando de 53% em junho para 66% em julho.

Para as transportadoras baianas, a combinação de diesel mais barato com o aumento sazonal da demanda por fretes agrícolas tende a se repetir nas próximas semanas, à medida que a colheita de milho avança também em polos produtores do Oeste da Bahia. O equilíbrio entre o alívio nos custos de combustível e a pressão da demanda deve ser um dos principais fatores a influenciar a rentabilidade das operações de frete no estado ao longo de agosto.

O IPTL deve ser atualizado novamente no fechamento de agosto, quando será possível avaliar se a tendência de queda dos combustíveis se mantém e como o mercado reagirá à pressão de demanda gerada pela safra de milho nas principais regiões produtoras do país.

Fonte: Transporte Moderno