O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) defendeu, nesta quarta-feira, a privatização de hidrovias como caminho necessário para destravar investimentos em infraestrutura de transporte no país. A declaração foi dada durante o 11º Fórum CNT de Debates – Edição Presidenciáveis, promovido pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em Brasília, evento que reúne os principais candidatos ao Palácio do Planalto para discutir propostas voltadas ao setor de transportes.
A fala foi registrada pela reportagem do Estadão Conteúdo e replicada por veículos parceiros durante a cobertura do fórum, que ao longo de dois dias recebeu lideranças do transporte rodoviário, aquaviário e ferroviário para debater com os presidenciáveis os principais gargalos do setor. Caiado sustentou que o poder público não tem capacidade fiscal para financiar sozinho a expansão da malha hidroviária brasileira.
"Primeiro que nós não vamos ter dinheiro para desenvolver. Vai ter que ser nessa modalidade", afirmou o candidato, ao defender a privatização como via de captação de capital e de acesso a financiamentos internacionais para obras de infraestrutura. Em outro trecho de sua fala, foi ainda mais direto: "Não tem outra saída. Só tem essa modalidade, não tem outra capaz de nós avançarmos."
Durante sua exposição no fórum, Caiado também defendeu uma revisão regulatória mais ampla para o setor de transportes e mencionou especificamente a necessidade de rever a metodologia de cálculo do frete, tema sensível para transportadoras de todo o país que operam sob a política de pisos mínimos estabelecida pela ANTT. O candidato não detalhou, na ocasião, quais mudanças concretas propõe para o modelo de cálculo hoje em vigor.
Questionado sobre a possibilidade de desoneração para o setor de transportes, o candidato do PSD condicionou qualquer medida nesse sentido à recuperação do equilíbrio das contas públicas. Segundo ele, é preciso primeiro "resgatar o equilíbrio fiscal", já que, na sua avaliação, o governo federal "gasta acima da sua capacidade de produzir, e com isso, gerando maior déficit e a maior taxa de juros".
O Fórum CNT de Debates é promovido periodicamente pela CNT como espaço de diálogo entre candidatos e o setor de transportes, e a edição deste ano, voltada aos presidenciáveis, ocorre poucos meses antes das eleições presidenciais de outubro. A entidade já havia entregue aos candidatos, em etapas anteriores do processo, o documento "O Transporte Move o Brasil", com propostas de política de Estado para infraestrutura, incluindo a aprovação da PEC da Infraestrutura e o uso integral dos recursos da Cide-Combustíveis em obras do setor.
As posições apresentadas por Caiado e por outros presidenciáveis no fórum tendem a orientar o debate eleitoral sobre infraestrutura de transporte nos próximos meses, com potencial de influenciar decisões futuras sobre concessões, tributação e regulação do frete rodoviário. Para transportadoras e caminhoneiros da Bahia, que dependem tanto de rodovias federais quanto, em menor escala, de conexões hidroviárias e portuárias para escoar produção, o rumo que a política de infraestrutura tomar a partir de 2027 pode afetar diretamente custos operacionais, prazos de investimento em modais alternativos e a própria metodologia usada para calcular o piso mínimo do frete pago às empresas do setor.
Fonte: Jornal de Brasília
