ALCOLUMBRE DESTRAVA NO SENADO A PEC DO FIM DA ESCALA 6X1; SETOR DE TRANSPORTE ALERTA PARA AUMENTO DE CUSTOS E FALTA DE MOTORISTAS

por Setceb | ago 21, 2026 | Uncategorized

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), assinou nesta quinta-feira despachos que destravam a tramitação da PEC 221/2019, que extingue a escala de trabalho 6x1 no país. A proposta estava parada na Casa desde 28 de maio de 2026, após ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados em dois turnos.

A movimentação foi divulgada pelo Diário do Transporte e ocorre em meio a uma reaproximação política entre Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois de um período de desgaste na relação motivado por indicações ao Supremo Tribunal Federal.

O texto da PEC estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, com cinco dias de trabalho e dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. A proposta prevê regimes diferenciados para atividades consideradas essenciais, caso do transporte, permitindo compensações de jornada por meio de acordos e convenções coletivas de trabalho.

Pelo cronograma da PEC, a redução da jornada ocorre em duas etapas: 60 dias após a promulgação, o limite semanal cai para 42 horas; em 14 meses, chega a 40 horas. Por se tratar de emenda constitucional, o texto não depende de sanção presidencial e precisa de 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação no plenário do Senado.

A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) estima aumento de até 15% nos gastos com motoristas caso a mudança seja aprovada sem ajustes, já que a mão de obra responde por 43,1% dos custos totais das operadoras. Segundo a entidade, as empresas precisariam contratar mais motoristas para manter a mesma frota circulando, pressionando tarifas e a necessidade de subsídios públicos.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) projeta a necessidade de mais de 250 mil novas contratações em todo o setor de transporte brasileiro, incluindo caminhoneiros e borracheiros, caso a redução de jornada avance da forma como está proposta. A entidade defende uma transição gradual, com redução de uma hora por ano ao longo de quatro anos, e cita que 53,4% das empresas urbanas e metropolitanas já enfrentam falta de motoristas, e 63,2% relatam escassez de mecânicos.

Do lado dos trabalhadores, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) argumenta que jornadas mais curtas podem atrair novos profissionais para a categoria, hoje afastada pelo desgaste físico e por salários considerados insuficientes. A entidade estima geração inicial de 4,5 mil empregos no transporte urbano com a mudança. No transporte rodoviário de cargas, o déficit de motoristas já é estimado em cerca de 30%, o equivalente a aproximadamente 26 mil vagas não preenchidas no país, segundo dados citados pela CNT.

A PEC agora segue para análise na Comissão de Constituição e Justiça do Senado antes de ir a plenário, sem prazo definido para votação. Para transportadoras e caminhoneiros da Bahia, o tema tem peso direto: o déficit de mão de obra já pressiona o setor rodoviário de cargas no estado, e uma redução de jornada sem regras claras de compensação para atividades essenciais pode elevar ainda mais o custo do frete e agravar a disputa por motoristas qualificados nas rotas baianas.

Fonte: Diário do Transporte