Indicadores de emissões de gases de efeito estufa começam a ganhar espaço na gestão das transportadoras rodoviárias de cargas brasileiras, ao lado de métricas tradicionais como consumo de combustível, desgaste de pneus, manutenção, gastos com pedágio e quilometragem rodada.
A mudança foi mapeada em reportagem publicada pelo portal da NTC&Logística, associação que representa transportadoras de cargas no país, e reflete a pressão crescente de grandes contratantes por fornecedores alinhados a critérios ambientais, sociais e de governança.
A indústria de papel e celulose Klabin, por exemplo, já inclui 91% de seus fornecedores críticos em seu Programa de Responsabilidade Socioambiental, com meta de alcançar 100% de adesão até 2030. Já a mineradora Vale identificou, entre seus fornecedores ativos no Brasil, 1.389 de um total de 5.268 classificados em nível de risco ESG alto ou muito alto — parcela expressiva que inclui prestadores de serviços de transporte.
Do ponto de vista regulatório, a Lei nº 15.042, de 2024, instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões. Pela norma, instalações que emitem mais de 10 mil toneladas de CO2 equivalente por ano precisam manter plano de monitoramento de emissões, e as que ultrapassam 25 mil toneladas por ano ficam sujeitas também a processos periódicos de conciliação.
No âmbito setorial, a Agência Nacional de Transportes Terrestres retomou neste ano a etapa de participação social do Selo ESG Cargas, reconhecimento voluntário concedido a transportadores autônomos, empresas e cooperativas que atendam a critérios ambientais, sociais e de governança definidos pela agência reguladora.
Para apoiar as empresas associadas nessa transição, a NTC&Logística firmou parceria com a Domani Global, oferecendo inventário de emissões nos escopos 1, 2 e 3, plataforma digital de gestão, diagnóstico ESG, plano de descarbonização, treinamentos e um selo de carbono neutro, com desconto para empresas filiadas à entidade.
A tendência indica que, cada vez mais, a competitividade de uma transportadora no mercado brasileiro vai depender não apenas de preço e prazo, mas também da capacidade de comprovar práticas sustentáveis exigidas por grandes embarcadores. Para as empresas baianas do setor, especialmente as que atendem indústrias com metas ambientais mais rígidas, acompanhar esse movimento e organizar dados básicos de emissões desde já pode se tornar um diferencial competitivo nos próximos contratos.
Fonte: NTC&Logística
