Um levantamento da Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo (Fetrabens) mostrou que as operações de carga e descarga de caminhões no Brasil estão levando, em média, mais de três dias para serem concluídas — um tempo muito superior ao previsto pela legislação em vigor.
O estudo foi divulgado pela própria federação e reuniu mais de 400 casos documentados entre abril de 2021 e o início de março de 2026, cobrindo 18 estados e o Distrito Federal. Segundo a Fetrabens, o objetivo do levantamento é dar visibilidade a um problema crônico da cadeia logística nacional e pressionar por soluções regulatórias que responsabilizem financeiramente quem atrasa as operações.
Pela legislação, operações de carga e descarga deveriam durar, em regra, no máximo cinco horas. Na prática, segundo os dados coletados pela federação, o tempo médio observado foi de 3 dias, 16 horas e 32 minutos — o equivalente a 88,5 horas, ou cerca de 17,7 vezes o limite legal.
O impacto financeiro também foi quantificado: o valor médio cobrado por operação de espera excessiva ficou em R$ 6.424,78, somando mais de R$ 2,5 milhões no conjunto dos casos analisados. A cobrança tem respaldo na taxa prevista pela ANTT, de R$ 2,50 por tonelada/hora além das cinco horas de tolerância legal.
O problema não é exclusividade dos casos levantados pela Fetrabens. A 3ª Pesquisa Nacional da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) constatou que 46,1% dos transportadores autônomos enfrentam esperas acima de cinco horas para carregar ou descarregar, e mais de 90% desse grupo não recebe qualquer tipo de compensação financeira pelo tempo perdido.
Uma pesquisa mais recente, realizada em 2026 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres (CNTTT) com 1.015 motoristas profissionais, chegou a resultado semelhante: 80% dos entrevistados relataram atrasos do mesmo tipo, e 73% avaliaram mal as instalações de carga e descarga que utilizam, com nota média de 3,7 em uma escala de 0 a 10.
Como proposta concreta, a Fetrabens defende o reconhecimento nacional de sua própria ferramenta de cálculo de indenização por tempo de espera, batizada de "Calculadora", como referência oficial do setor — integrando-a ao Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) e aos sistemas eletrônicos de documentação de transporte já usados pela ANTT.
O tema tem impacto direto sobre transportadoras e caminhoneiros autônomos da Bahia, que também relatam informalmente longas esperas em terminais e centros de distribuição do estado. Caso a proposta da Fetrabens avance e ganhe reconhecimento formal da ANTT, transportadores baianos passariam a contar com um parâmetro nacional mais claro para cobrar indenização por atrasos, hoje frequentemente negociados de forma informal e sem padronização entre embarcadores e transportadores.
Fonte: Blog do Caminhoneiro, com base em estudo da Fetrabens
