A União Europeia suspendeu, a partir desta quinta-feira, a importação de carne bovina, de frango, suína, além de mel, pescados e ovos produzidos no Brasil, alegando insuficiência nos mecanismos brasileiros de controle do uso de antimicrobianos na produção animal.
A medida foi comunicada pelas autoridades sanitárias europeias e não decorre de qualquer contaminação ou problema sanitário identificado em lotes específicos, mas de uma avaliação mais ampla sobre os protocolos de rastreabilidade e controle de resíduos de antimicrobianos adotados pela cadeia produtiva brasileira.
O impacto financeiro estimado da suspensão é de até US$ 2 bilhões por ano para o agronegócio brasileiro. Somente as exportações de carne bovina para o bloco europeu somaram cerca de US$ 1,7 bilhão em 2025, o que dá a dimensão do peso do mercado europeu para o setor.
Segundo o cronograma divulgado, uma auditoria de autoridades europeias nas cadeias de produção de frango e de mel ocorre nos dias 3 e 4 de setembro, com resultado da análise esperado em cerca de dois meses. A expectativa é de que as exportações de frango possam ser retomadas ainda em 2026, enquanto a normalização das exportações de carne bovina, por ter ciclo produtivo mais longo, só deve ocorrer entre 24 e 36 meses.
Em resposta, o governo brasileiro anunciou a proibição do uso de antimicrobianos específicos identificados como problemáticos pelas autoridades europeias e a criação de um novo protocolo de rastreabilidade da produção animal, que passa a acompanhar o processo "do nascimento até o abate".
A suspensão atinge diretamente cadeias produtivas com forte presença logística rodoviária no país, já que boa parte do transporte de proteína animal entre frigoríficos, armazéns e portos de exportação depende de frotas de caminhões refrigerados.
A redução no volume de exportações de carnes tende a se refletir na demanda por transporte de cargas frigorificadas com destino aos portos brasileiros, incluindo rotas que passam por terminais do Nordeste, podendo pressionar a ocupação e os fretes praticados por frotas especializadas em carga refrigerada enquanto durar a suspensão.
Para transportadoras baianas que atendem frigoríficos e operações de exportação de proteína animal, o desenrolar das negociações entre o governo brasileiro e a União Europeia nas próximas semanas é um fator a acompanhar de perto, já que a duração da suspensão — mais curta para o frango, mais longa para a carne bovina — deve definir o tamanho do impacto sobre o volume de frete frigorificado nos próximos meses.
Fonte: Agência Brasil (EBC)
