A Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou nesta terça-feira o Plano CNT de Transporte e Logística 2026, documento que reúne 2.837 projetos de infraestrutura de transporte espalhados pelos 27 estados brasileiros, somando R$ 2,03 trilhões em investimentos propostos.
O levantamento foi apresentado pela entidade como ferramenta de planejamento estratégico de longo prazo. Segundo a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, o desenvolvimento da infraestrutura de transporte precisa ser pensado de forma estratégica e de longo prazo, unindo necessidades regionais a uma perspectiva nacional de investimento público e privado.
O diagnóstico da malha rodoviária apresentado pela entidade é crítico: apenas 13% das rodovias do país são pavimentadas, e 62,1% dos trechos avaliados foram classificados como regulares, ruins ou péssimos, percentual que sobe para 72,8% quando considerados apenas os trechos sob gestão pública.
No modal ferroviário, o Brasil tem hoje cerca de 32 mil quilômetros de linhas. O plano propõe 115 projetos para a construção de mais 25,5 mil quilômetros de ferrovias, o que ajuda a explicar por que praticamente metade dos R$ 2,03 trilhões mapeados está concentrada nesse modal.
Entre os recortes estaduais, São Paulo aparece com a maior carteira (R$ 493,7 bilhões), seguido por Minas Gerais (R$ 289,4 bilhões, em 351 propostas), Rio Grande do Sul (R$ 125,8 bilhões), Bahia (R$ 93,2 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 92,9 bilhões) e Amazonas (R$ 30,3 bilhões, concentrado em hidrovias).
No caso específico da Bahia, maior economia do Nordeste com PIB de R$ 431 bilhões e população acima de 14,1 milhões de habitantes, a carteira mapeada pela CNT soma R$ 93,2 bilhões, sendo R$ 47,5 bilhões em projetos rodoviários e R$ 35,3 bilhões em projetos ferroviários, que preveem 960,4 quilômetros de linhas novas e a recuperação de 838 quilômetros já existentes.
A expectativa de investimento é vista como sinal positivo para as transportadoras baianas, que convivem no dia a dia com rodovias estaduais e federais em trechos deficientes. Ainda assim, o plano é apenas um mapeamento de projetos, sem garantia de execução ou cronograma definido, cabendo aos governos federal e estadual, além da iniciativa privada, decidir quais propostas efetivamente avançarão nos próximos anos.
Fonte: FETRANSUL
