Operadores do mercado financeiro já precificam probabilidade de 95% de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central promova um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, levando-a de 14,00% para 13,75% ao ano, na reunião marcada para os dias 15 e 16 de setembro.
A leitura do mercado é baseada nos preços das opções de juros futuros negociadas na B3, divulgados nesta sexta-feira. Um eventual corte confirmaria o quinto movimento consecutivo de flexibilização monetária desde o início do ciclo de afrouxamento, iniciado em março deste ano.
A Selic está em 14,00% ao ano desde a última decisão do Copom, tomada em agosto, quando o comitê já havia promovido o quarto corte seguido de 0,25 ponto percentual, em decisão unânime.
A expectativa de novo corte no Brasil coincide com a reunião de política monetária do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, marcada para as mesmas datas, 15 e 16 de setembro. O consenso entre cerca de 70% dos economistas consultados pelo mercado americano é de que o Fed deve manter os juros americanos estáveis, na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.
A manutenção dos juros americanos, associada ao corte esperado no Brasil, deve ampliar ainda mais o diferencial de juros entre os dois países — fator que, segundo analistas, tende a limitar uma eventual pressão de alta sobre o real mesmo com o afrouxamento monetário brasileiro, já que o carrego de capital estrangeiro no país segue atrativo.
O Boletim Focus mais recente, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira, dia 8, projeta Selic de 13,75% ao ano para o fim de 2026 — patamar estável há quatro semanas nas projeções —, além de novos cortes adiante, com a taxa projetada em 12,00% ao fim de 2027 e 10,50% ao fim de 2028. A projeção de inflação (IPCA) para 2026 está em 5,00%, acima do teto da meta.
A trajetória de queda da Selic é acompanhada de perto pelas transportadoras, já que boa parte do financiamento de aquisição e renovação de frota no país é feito a taxas atreladas ao CDI, que acompanha de perto a taxa básica de juros. Para empresas do setor na Bahia, cada corte na Selic tende a reduzir gradualmente o custo do crédito para compra de caminhões e capital de giro, ainda que o efeito sobre as condições de financiamento costume aparecer com defasagem em relação à decisão do Copom.
Fonte: Rio Times Online
