O dólar comercial encerrou a última sessão de negociação da semana, nesta sexta-feira (11), cotado a R$ 5,125 na venda, alta de 0,43% frente ao fechamento anterior, segundo levantamento de cotações do mercado financeiro. A taxa Ptax, referência calculada pelo Banco Central e usada em contratos de comércio exterior, ficou em R$ 5,0918.
O movimento foi registrado pelas plataformas de acompanhamento cambial que consolidam as cotações do dia a partir dos dados do Banco Central, e reflete a combinação de dois sinais opostos: um doméstico, que em tese enfraqueceria o real, e outro externo, que fortaleceu o dólar globalmente.
No front interno, o IPCA de agosto trouxe deflação de 0,32%, resultado que reforçou as apostas do mercado em novos cortes da taxa Selic nas próximas reuniões do Copom. Juros mais baixos tendem a reduzir o diferencial de rentabilidade entre ativos brasileiros e americanos, o que em condições normais tende a enfraquecer a moeda nacional.
Do lado externo, no entanto, dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos vieram mais fortes do que o esperado, alimentando apostas de que o Federal Reserve manterá os juros americanos elevados por mais tempo. O cenário fortalece o dólar como um todo, inclusive frente ao real, e explica por que a moeda brasileira não conseguiu emplacar uma queda apesar do dado doméstico favorável a um afrouxamento monetário.
A oscilação cambial tem efeito direto sobre a estrutura de custos do transporte rodoviário de cargas. Pneus, peças de reposição, componentes eletrônicos embarcados e boa parte dos insumos usados na manutenção de frotas pesadas têm preço atrelado, total ou parcialmente, à cotação do dólar, seja por importação direta, seja pela paridade internacional de matérias-primas como borracha e aço.
O câmbio também integra a fórmula de formação do preço dos combustíveis no mercado interno, já que parte do diesel consumido no país tem preço de referência atrelado a cotações internacionais em dólar. Uma moeda americana mais valorizada tende a pressionar, ainda que de forma indireta e ao longo do tempo, o custo do diesel nas bombas, item que já responde pela maior fatia da planilha de custos das transportadoras.
O mercado financeiro já vinha precificando alta probabilidade de novo corte da Selic na reunião do Copom da próxima semana, cenário que, se confirmado, tende a reduzir o custo do crédito para renovação de frotas, mas que por ora convive com um câmbio mais pressionado no curto prazo.
Para as transportadoras baianas, o efeito prático tende a aparecer primeiro na manutenção da frota: pneus e peças importadas, ou com forte componente cambial, ficam proporcionalmente mais caros, encarecendo a operação de quem transporta cargas dentro e fora do estado. Por outro lado, exportadores de commodities baianas, como soja, algodão e cacau, tendem a se beneficiar relativamente de um real mais depreciado, o que pode sustentar a demanda por frete voltado à exportação nos portos do estado.
A tendência do câmbio nas próximas semanas deve depender diretamente da decisão do Copom e dos próximos indicadores de inflação nos Estados Unidos, dois fatores que devem seguir movimentando o dólar e, por consequência, a planilha de custos das empresas de transporte de cargas do país.
Fonte: Banco Central do Brasil (Ptax) e Boca Notícias
