ESTUDO APONTA CRESCIMENTO DE 25% NO NÚMERO DE MEI-CAMINHONEIRO EM 2025, COM QUASE 87 MIL NOVOS CNPJS

por Setceb | set 23, 2026 | Uncategorized

Um estudo do Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC), entidade ligada ao Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo (SETCESP), mostra que o número de novos CNPJs de MEI-Caminhoneiro abertos em 2025 somou 86.634, alta de 25% em relação ao ano anterior.

O levantamento cruzou dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), da Receita Federal e do Registro Nacional de Condutores Habilitados (Renach). Segundo o estudo, o estoque ativo de MEIs-Caminhoneiro passou de 346.558 em 2024 para 433.192 em 2025, resultado de 143.014 aberturas e 56.380 baixas de CNPJ ao longo do ano.

No acumulado entre 2023 e 2025, a alta no número de MEIs-Caminhoneiro chega a 47,95%, reforçando uma tendência de crescimento consistente do modelo de empreendedorismo individual entre motoristas de caminhão no país.

Em contraste, os vínculos formais em regime CLT de motoristas cresceram apenas 1,22% no mesmo período, um incremento de 6.536 postos, totalizando 541.588 motoristas empregados sob carteira assinada.

O estudo também identificou uma taxa de desistência relevante entre os novos empreendedores: dos 114.314 CNPJs de MEI-Caminhoneiro abertos em 2024, apenas 90.077 permaneciam ativos um ano depois, uma queda de 21,2% na permanência.

Segundo Marcelo Rodrigues, presidente do SETCESP, o avanço do modelo representa uma "diversificação nas formas de inserção profissional" no setor. Já Raquel Serini, coordenadora de projetos do IPTC, pondera que "a expansão traz novos desafios de qualificação e sustentabilidade econômica" para os motoristas que optam por empreender.

O próprio estudo faz a ressalva de que os números não indicam necessariamente uma migração direta de vínculos CLT para o modelo MEI, já que um mesmo profissional pode manter simultaneamente carteira assinada e CNPJ próprio. Ainda assim, a alta taxa de desistência entre os novos MEIs evidencia dificuldades de gestão, planejamento financeiro e tributação enfrentadas por quem decide empreender no transporte de cargas.

Para o setor na Bahia, os dados reforçam uma tendência observada também no estado: o crescimento do número de motoristas autônomos com CNPJ próprio, o que tende a exigir das transportadoras baianas maior atenção a critérios de qualificação, capacitação e apoio à gestão financeira dos parceiros que prestam serviço nesse modelo.

Fonte: Tecnologística — estudo do Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC), ligado ao SETCESP