A feira alemã IAA Transportation 2026 serviu de vitrine para uma nova geração de caminhões elétricos de longa autonomia, com a sueca Scania e a chinesa BYD apresentando modelos que miram justamente o desafio de eletrificar rotas de transporte de cargas de distâncias mais longas — um dos principais obstáculos à adoção do elétrico no segmento pesado.
Segundo reportagens publicadas nesta quarta-feira (23) pelo Blog do Caminhoneiro, a Scania mostrou um caminhão elétrico na configuração 6×2*4, com dois eixos direcionais, capaz de rodar até 720 quilômetros com uma carga de bateria. O veículo usa cerca de 356 kWh adicionais distribuídos em duas baterias do modelo MP20, somadas às unidades já instaladas no chassi e na cabine.
A configuração segue os padrões chamados IVD (Increased Vehicle Dimension), que permitem comprimentos acima dos 16,5 metros regulamentares quando o caminhão é combinado com reboques — um recurso relevante para operações de transporte de cargas de maior volume. O desenho frontal mais arredondado do modelo, segundo a Scania, reduz em até 3% o consumo de energia, já que a resistência aerodinâmica tem peso maior no consumo de veículos elétricos do que nos movidos a diesel.
Em nota, Lars Gustafsson, vice-presidente sênior de Gestão de Soluções da Scania, afirmou que o objetivo da nova configuração é viabilizar "transporte elétrico em distâncias tradicionalmente mais difíceis de eletrificar" — uma referência direta ao problema de autonomia que hoje restringe o uso de caminhões elétricos, majoritariamente, a rotas urbanas e de curta distância.
Já a BYD apresentou na feira o ETT44, caminhão elétrico 4×2 com potência nominal de 743 cv e pico de 1.000 cv, projetado desde a concepção para ser 100% elétrico. O modelo usa bateria de 651 kWh com tecnologia Blade, autonomia acima de 500 quilômetros, recarga completa em 60 minutos em carregadores padrão CCS2 ou em 20 minutos em carregadores de alta potência MCS, além de garantia de bateria de dez anos ou 1,2 milhão de quilômetros rodados.
O foco inicial de comercialização do ETT44 é o mercado europeu, mas a BYD sinalizou que pretende apresentar sua linha de caminhões elétricos na Fenatran, feira que ocorre em novembro no Brasil, "com possibilidade de lançamento do ETT44" no país — ainda sem especificações confirmadas sobre eventuais adaptações do modelo às condições brasileiras.
Ainda que a eletrificação de caminhões pesados para longas distâncias siga sendo, na prática, uma tecnologia em maturação — dependente de rede de recarga de alta potência praticamente inexistente nas rodovias brasileiras —, o anúncio de um possível lançamento do ETT44 na Fenatran acende o sinal de que fabricantes já enxergam o Brasil como mercado relevante para essa transição. Para as transportadoras baianas, que hoje dependem quase exclusivamente do diesel e enfrentam pressão constante do preço do combustível, o acompanhamento dessas tecnologias é importante para o planejamento de médio e longo prazo de renovação de frota, ainda que a adoção em massa dependa de infraestrutura de recarga que o país ainda não possui nas rodovias de longa distância.
Fonte: Blog do Caminhoneiro
