BRENT FECHA A US$ 106,60 E DEFASAGEM DO DIESEL IMPORTADO CHEGA A 89% SOBRE PREÇO DA PETROBRAS

por Setceb | set 25, 2026 | Uncategorized

O petróleo Brent fechou a sessão desta quinta-feira, 24 de setembro, cotado a US$ 106,60 o barril, alta de 3,41%, e levou a defasagem entre o diesel vendido pela Petrobras e o diesel importado a 89% nas seis principais praças de revenda do país, segundo levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) divulgado no mesmo dia. A diferença de R$ 3,01 por litro acende alerta para o setor de transporte rodoviário de cargas às vésperas do vencimento parcial de um subsídio federal ao combustível.

A alta do petróleo é puxada pela escalada da crise no Estreito de Ormuz, com o fluxo de navios na rota estratégica em forte queda em meio às tensões entre Irã e Estados Unidos, e por notícias de negociações diplomáticas sobre a passagem, fatores que mantêm o mercado internacional de energia sob pressão nas últimas semanas. Convertido pelo câmbio de fechamento de R$ 5,19 por dólar, o barril de Brent já equivale a cerca de R$ 553.

Segundo a metodologia de paridade de preços internacional (PPI) usada pela Abicom, o litro do diesel A na refinaria de Paulínia (SP) sai a R$ 3,33 pela Petrobras, contra R$ 6,65 se fosse importado ao preço internacional atual — uma diferença de R$ 3,31 por litro. Na gasolina, a defasagem média é de R$ 1,13 por litro, o equivalente a 37% acima do preço praticado pela estatal.

A janela de importação de diesel está fechada há 254 dias em média, e a de gasolina, há 211 dias, sinal de que o governo segura os preços nas refinarias mesmo com o mercado externo mais caro. Atualmente dois descontos federais somam R$ 2,12 por litro de diesel para sustentar esse represamento, mas um deles perde validade em 26 de setembro, dois dias após o fechamento desta quinta-feira, o que deixa em aberto se a defasagem vai se traduzir em reajuste nas bombas nas próximas semanas.

Para o transporte rodoviário de cargas, que responde por mais de 60% da matriz logística brasileira e tem o diesel como item mais pesado da planilha de custos, a manutenção artificial dos preços nas refinarias evita um choque imediato no frete, mas amplia o risco de um reajuste abrupto caso o subsídio não seja renovado ou caso o Brent continue subindo por causa da crise em Ormuz.

Na Bahia, onde o SETCEB representa transportadoras expostas tanto ao abastecimento nos corredores do Porto de Salvador quanto às rotas de longa distância para o Centro-Oeste e o Sudeste, uma eventual liberação da defasagem tende a pressionar margens já apertadas, num cenário em que o frete não acompanha integralmente as variações de custo. Transportadoras baianas devem monitorar de perto o anúncio do governo sobre a prorrogação ou não do subsídio de R$ 2,12, já que qualquer redução no desconto tende a repassar rapidamente o custo extra do diesel para o preço do frete rodoviário no estado.

Fonte: CPG Click Petróleo e Gás