O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) registrou superávit comercial de US$ 6,45 bilhões em setembro, resultado 151,1% maior que o apurado no mesmo mês de 2025, segundo balanço consolidado divulgado pela pasta no início de outubro. O dado reforça a trajetória de expansão do comércio exterior brasileiro ao longo de 2026.
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao MDIC, as exportações somaram US$ 30,49 bilhões em setembro, avanço de 22,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As importações também cresceram, mas em ritmo mais moderado, de 7,4%, totalizando US$ 24,04 bilhões no período.
O destaque setorial ficou com a indústria extrativa, cujas exportações saltaram 52,2%, impulsionadas pela alta de 89,6% nas vendas de petróleo bruto e de 132,5% no minério de cobre. A indústria de transformação também cresceu, com embarques de celulose avançando 44% na comparação anual.
O agronegócio manteve participação relevante no resultado, com exportações de US$ 6,17 bilhões no mês, alta de 12,8%. A soja em grão cresceu 21,1% e o café 20,6%, enquanto o milho recuou 10,9% e as hortaliças caíram 28,3%, reflexo da sazonalidade das safras.
No acumulado de janeiro a setembro, o superávit comercial brasileiro chegou a US$ 61,77 bilhões, expansão de 36,3% em relação ao mesmo período de 2025. O MDIC projeta superávit de US$ 90 bilhões para o ano, caso o ritmo de crescimento se mantenha nos últimos meses.
O avanço simultâneo de commodities minerais, agrícolas e de celulose eleva a necessidade de escoamento de cargas até portos e terminais, movimento que recai diretamente sobre o transporte rodoviário de cargas. Historicamente, picos de exportação de granéis e produtos industriais pressionam a demanda por caminhões, especialmente nas rotas que ligam regiões produtoras aos complexos portuários.
Para as transportadoras baianas, o cenário de exportações em expansão representa oportunidade de aumento de volume transportado, sobretudo nas cargas destinadas aos portos de Salvador, Ilhéus e Aratu, utilizados no escoamento de soja, celulose e outros produtos do agronegócio e da indústria baiana. O aumento do fluxo também tende a intensificar a demanda por motoristas, pátios de espera e capacidade de armazenagem ao longo dos corredores logísticos do estado.
Por outro lado, o crescimento do volume exportado em ritmo mais acelerado que a expansão da frota e da infraestrutura rodoviária pode acirrar a disputa por capacidade de transporte, pressionando fretes e prazos de entrega nos períodos de pico de embarque. O setor acompanha ainda os efeitos da valorização do real sobre a competitividade das exportações nos próximos meses, fator que pode moderar ou sustentar o ritmo observado em setembro.
A divulgação do resultado consolidado de outubro pelo MDIC, prevista para as primeiras semanas de novembro, deve indicar se a trajetória de crescimento das exportações se mantém, com impacto direto sobre o planejamento operacional das transportadoras de cargas no país e na Bahia.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) / Secex
