PRODUÇÃO DE CAMINHÕES E ÔNIBUS CAI NO ANO E ANFAVEA PROJETA PRIMEIRO DÉFICIT COMERCIAL DO SETOR EM ANOS

por Setceb | out 13, 2026 | Uncategorized

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou que a produção de caminhões no Brasil somou 92.305 unidades entre janeiro e setembro de 2026, queda de 6,4% em relação ao mesmo período de 2025 — resultado que, somado a uma retração ainda maior na produção de ônibus, levou a entidade a revisar para baixo sua projeção para o segmento de veículos pesados neste ano.

Os números fazem parte do balanço mensal do setor automotivo divulgado pela Anfavea e foram repercutidos pelos portais especializados Blog do Caminhoneiro e Frota&Cia. Um recorte desse mesmo balanço, referente às vendas de caminhões, já havia sido tratado em notícia publicada pelo SETCEB na semana passada; esta nota amplia o quadro para o lado da produção e do comércio exterior do setor.

Em setembro, a produção de caminhões foi de 11.625 unidades, praticamente estável frente às 11.773 de agosto (recuo de 1,3%) e 15% acima das 10.107 unidades produzidas em setembro de 2025. No acumulado do ano, porém, a queda de 6,4% reflete dificuldades concentradas principalmente nos primeiros meses de 2026.

A produção de ônibus teve retração ainda mais acentuada: 21.343 unidades entre janeiro e setembro, ante 24.030 no mesmo período de 2025, queda de 11,2%.

Diante desses resultados, a Anfavea revisou sua projeção para o mercado de veículos pesados: em junho, a entidade previa queda de 6% no ano, para 143,2 mil unidades; agora, a expectativa é de retração de 8,2%, para cerca de 139,8 mil unidades.

O cenário contrasta com o desempenho do mercado de automóveis e comerciais leves, que segue em forte expansão e deve fechar 2026 com 3,1 milhões de emplacamentos, alta de 15,2% — o maior volume desde 2014, segundo a entidade.

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, chamou atenção para o aumento das importações, a queda das exportações e a maior participação de veículos montados a partir de kits importados (CKD e SKD) na produção nacional, o que reduz o uso da cadeia brasileira de autopeças e de mão de obra.

As exportações da indústria automotiva devem recuar 17,7% em 2026. De janeiro a setembro, somaram 334 mil unidades, queda de 23%, e já são seis meses consecutivos abaixo de 40 mil veículos exportados por mês — resultado atribuído à retração do mercado argentino e à presença maior de modelos chineses e mexicanos na América do Sul.

Na direção oposta, as importações de veículos cresceram 30,4% no ano, somando 463,9 mil unidades, das quais 55% são modelos chineses — hoje responsáveis por 11,3% de todo o mercado nacional. Com isso, a balança comercial do setor automotivo registrou déficit em 2026, revertendo um histórico recente de superávit.

Para as transportadoras baianas, o dado mais sensível é a reversão de tendência no segmento de pesados: a combinação de produção em queda, projeção revisada para baixo e maior dependência de insumos importados pode se refletir em prazos de entrega mais longos e preços menos competitivos na renovação de frota ao longo de 2027, em um momento em que o mercado de usados segue pressionado pelo custo do crédito.

Fonte: Frota&Cia