FOCUS PÓS-ELEIÇÃO: BANCO CENTRAL REDUZ PROJEÇÃO DO PIB E DO DÓLAR PARA 2026, MAS ELEVA EXPECTATIVA DE INFLAÇÃO

por Setceb | out 29, 2026 | Uncategorized

O Banco Central divulgou, na segunda-feira (26), a primeira edição do Boletim Focus produzida após as eleições presidenciais de outubro, mostrando que os economistas consultados reduziram as projeções de crescimento da economia e de cotação do dólar para 2026, ao mesmo tempo em que elevaram a expectativa de inflação para o período. Esta nota traz o recorte mais recente disponível do boletim, divulgado semanalmente pela autoridade monetária.

O boletim é construído semanalmente pelo Banco Central a partir de pesquisa com cerca de cem instituições financeiras e consultorias, servindo de referência oficial para o mercado e para a formulação da política monetária. A edição desta semana é a primeira a incorporar de forma mais ampla as reações do mercado ao resultado das urnas.

Segundo o levantamento, a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 caiu para 1,83%, revisão para baixo em relação às estimativas da semana anterior.

A expectativa para a cotação do dólar também recuou, para R$ 5,13 ao final de 2026, nova queda frente às projeções anteriores dos economistas consultados pelo Banco Central.

Na direção contrária, a mediana das projeções para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltou a subir, permanecendo acima do teto da meta perseguida pela autoridade monetária.

A taxa básica de juros, a Selic, teve sua projeção para o final de 2026 estimada em 13,25% ao ano, enquanto a expectativa para 2027 ficou em 11,75% ao ano, segundo o mesmo levantamento.

O próximo Boletim Focus será divulgado na segunda-feira seguinte, quando o mercado deverá ter mais elementos para avaliar o rumo da política econômica do governo recém-eleito e seus efeitos sobre as variáveis acompanhadas pelo Banco Central.

A combinação de dólar mais baixo, PIB mais fraco e Selic ainda em dois dígitos tende a produzir efeitos mistos sobre o transporte rodoviário de cargas. Um real mais valorizado reduz o custo em reais de insumos importados, como peças, pneus e alguns lubrificantes usados pela frota, mas uma economia que cresce menos tende a reduzir o volume de cargas movimentado, o que preocupa transportadoras baianas que dependem do escoamento de grãos, derivados de petróleo e bens industrializados pelos corredores que ligam a Bahia a outros estados. Já a manutenção da Selic em patamar elevado continua a encarecer o financiamento de caminhões novos e o capital de giro das empresas do setor, fator que deve seguir no radar das transportadoras baianas nos próximos meses.

Fonte: Banco Central do Brasil (Boletim Focus) — com dados compilados por Forbes, Exame e Money Times