Empresas de remessas expressas internacionais que operam no Brasil intensificaram o planejamento logístico para a Black Friday de 2026, marcada para 27 de novembro, diante da expectativa de um salto na demanda do comércio eletrônico no período.
O alerta foi feito pela Associação Brasileira das Empresas de Transporte Expresso Internacional de Cargas e Remessas (Abraec), que reúne as principais operadoras do segmento no país e defende que a preparação para picos sazonais como esse comece com meses de antecedência.
Segundo a Cainiao, braço de logística do grupo Alibaba, a proximidade entre o Singles' Day, celebrado em 11 de novembro na China, e a Black Friday brasileira tende a pressionar ainda mais a movimentação de mercadorias no fim do ano. A empresa estima que o volume de encomendas em períodos promocionais costuma ficar entre 30% e 50% acima do registrado em períodos regulares.
Já a PHX, operadora de remessas internacionais com atuação relevante em Viracopos (VCP), um dos principais aeroportos de cargas do país, projeta um aumento de 20% na demanda em relação à Black Friday de 2025. Para dar conta do volume, a empresa pretende ampliar sua capacidade diária de processamento de 35 mil para 60 mil remessas nessa operação.
O aumento repentino de demanda pressiona diretamente o transporte aéreo internacional, os processos de liberação alfandegária e a infraestrutura logística como um todo. Segundo a PHX, a maior disputa por espaço no frete aéreo tende a reduzir a disponibilidade de capacidade e a elevar tarifas, enquanto informações incompletas ou inconsistentes nos trâmites aduaneiros podem reter encomendas e provocar atrasos em cadeia.
Lara Gurgel, diretora-executiva da Abraec, defende que o planejamento antecipado, a integração entre os diferentes agentes da cadeia logística e o investimento em tecnologia são fundamentais para manter a eficiência e a previsibilidade dos prazos de entrega nesse período.
Entre as medidas adotadas pela PHX estão a reserva antecipada de capacidade aérea, o reforço de equipes em centros operacionais e de tratamento aduaneiro, a ampliação do processamento nos hubs logísticos e turnos extras de trabalho. A empresa também mantém planos de contingência, como a redistribuição de volumes entre aeroportos e o uso de rotas alternativas, além do escalonamento de envios em conjunto com clientes para evitar a concentração excessiva de remessas em poucos dias.
A Cainiao, por sua vez, defende a necessidade de maior coordenação entre operadores logísticos, importadores, transportadoras e autoridades, incluindo a Receita Federal, para garantir conformidade regulatória e agilidade no desembaraço das cargas durante o período de pico.
Embora o grosso dessa operação esteja concentrado no transporte aéreo internacional e no desembaraço alfandegário, o aumento do volume de encomendas processado em hubs como Viracopos tende a se refletir, nas semanas seguintes à Black Friday, em mais demanda por transporte rodoviário de cargas para a distribuição dessas mercadorias pelo país, inclusive para a Bahia. Transportadoras baianas que atuam na capilaridade e na distribuição de encomendas de e-commerce podem sentir esse reflexo no fim de novembro e início de dezembro, período em que o volume de cargas fracionadas costuma crescer em todo o Estado.
Fonte: Portal Sala da Notícia
