A Tata Motors, montadora indiana, concluiu a aquisição do Grupo Iveco, fabricante de caminhões e veículos comerciais com operação no Brasil, após o encerramento do período inicial de aceitação de sua oferta pública em 30 de outubro. A Tata passou a deter aproximadamente 89,42% do capital social da Iveco, excluídas as ações em tesouraria.
A operação envolveu mais de 238 milhões de ações, a € 14,40 cada, totalizando cerca de € 3,43 bilhões. A oferta cobre os negócios de veículos comerciais e motores da Iveco; a divisão de Defesa foi excluída do acordo e é tratada separadamente, em negociação com a empresa italiana Leonardo.
A oferta da Tata Motors se tornou incondicional depois de superar o patamar mínimo de 80% de aceitação pelos acionistas da Iveco. Com a conclusão do negócio, N. Chandrasekaran, presidente do conselho da Tata Sons, assumiu a presidência do conselho de administração da Iveco. Olof Persson permanece como presidente-executivo da fabricante.
O novo conselho da Iveco também passa a contar com PB Balaji, Girish Wagh, Guenter Butschek e Charles Nichols, todos ligados ao grupo indiano, o que sinaliza a intenção da Tata de integrar a gestão da fabricante europeia à sua estrutura corporativa.
A oferta de aquisição foi reaberta entre 2 e 6 de novembro, pelo mesmo valor de € 14,40 por ação, para os acionistas que ainda não haviam vendido suas posições. O pagamento referente a essa segunda janela está previsto para 13 de novembro. A Tata Motors afirma que pretende adquirir as ações remanescentes e retirar a Iveco da bolsa de valores de Milão.
Em meio à transição, a Iveco antecipou a divulgação de seus resultados do terceiro trimestre de 2026, que passou de 5 para 3 de novembro. As companhias sinalizam que vão concentrar esforços na cooperação industrial e na integração dos negócios, especialmente na área de veículos comerciais.
A mudança de controle acionário da Iveco tem potencial de afetar, ainda que gradualmente, a rede de distribuição, assistência técnica e peças de reposição da marca no Brasil, onde a fabricante mantém presença consolidada no segmento de caminhões e ônibus - um ponto de atenção para transportadoras baianas que operam frotas com veículos da marca.
Fusões e aquisições entre grandes fabricantes globais de caminhões tendem a se refletir, no médio prazo, em mudanças na oferta de modelos, prazos de entrega e políticas comerciais nos mercados onde essas marcas atuam, incluindo o mercado brasileiro e, por consequência, o baiano. O desfecho da integração entre Tata Motors e Iveco deve se tornar mais claro nos próximos meses, à medida que avançam os planos de cooperação industrial anunciados pelas duas companhias.
Fonte: Frota&Cia
