ANTT reforça exigência do CIOT e nova ferramenta de inteligência artificial facilita gestão de dados do transporte de cargas

por Setceb | nov 4, 2026 | Uncategorized

Uma nova ferramenta de inteligência artificial chamada Gi, integrada à plataforma de gestão de frotas Gestran Frota, começou a ser oferecida a transportadoras de cargas em um momento em que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reforça a cobrança pelo registro correto das operações de transporte no país.

Desde maio de 2026, o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) é obrigatório no transporte rodoviário remunerado de cargas. O registro reúne dados sobre o contratante, o transportador e o veículo, o que facilita o acompanhamento de cada operação pelos órgãos reguladores e pelas próprias empresas.

É nesse contexto de maior volume de dados a gerenciar que a Gestran lançou a Gi, um agente de inteligência artificial que permite ao gestor de frota fazer perguntas em linguagem natural, sem comandos técnicos específicos, e aprofundar a consulta a partir das respostas obtidas.

Os resultados podem ser apresentados em texto, em gráficos ou exportados para planilhas em Excel ou CSV. Entre os usos citados estão identificar veículos com maior gasto de combustível, calcular o custo por quilômetro rodado, comparar períodos distintos de operação e localizar veículos ociosos na frota.

A ferramenta, no entanto, tem função consultiva: ela não executa decisões, não altera registros, não cria ordens de serviço e não realiza operações diretamente no sistema de gestão. Cabe ao gestor interpretar os dados apresentados e definir as ações a partir deles.

Segundo Raphael Aguiar, da Gestran, em declaração feita durante o evento Frotas Conectadas, em agosto, apenas 15% das empresas do setor conseguem atingir os objetivos de gestão de frota que estabelecem para si mesmas, o que evidencia a dificuldade de transformar dados operacionais em decisões eficazes.

Levantamento da Live University em parceria com o Inbrasc mostra que 88% das empresas brasileiras já utilizam inteligência artificial generativa, mas apenas 14% estão em estágio avançado, com agentes de IA dedicados a análises e previsões - o que indica espaço grande para amadurecimento no setor de logística.

Uma pesquisa da consultoria PwC reforça esse cenário: 83% dos líderes de operações e cadeia de suprimentos acreditam que agentes de IA e automação podem ajudar seus negócios, mas apenas 27% afirmam ter uma estratégia de inteligência artificial totalmente integrada às áreas da empresa. Para 87% dos entrevistados, a qualidade das informações disponíveis ainda limita os resultados das iniciativas digitais, e só 37% se sentem confortáveis em delegar processos inteiros a agentes de IA.

Para as transportadoras baianas, a combinação entre exigência regulatória mais rígida e ferramentas de gestão cada vez mais sofisticadas tende a se tornar rotina: cumprir corretamente o CIOT deixa de ser apenas uma obrigação documental e passa a gerar uma base de dados que, bem utilizada, pode ajudar a reduzir custos operacionais em um momento de pressão sobre o preço do diesel e o crédito para renovação de frota.

A tendência apontada pelas pesquisas citadas é de adoção crescente de ferramentas de inteligência artificial na gestão de frotas nos próximos anos, à medida que mais empresas avaliam o retorno sobre esse tipo de investimento e buscam reduzir a defasagem entre o volume de dados gerado pela operação e a capacidade de analisá-los.

Fonte: Blog do Caminhoneiro