O BNDES e o Ministério dos Transportes assinaram, em 14 de outubro, no Rio de Janeiro, um contrato para estruturar a concessão de 3.137 quilômetros de rodovias federais no Norte e no Nordeste do país, dando sequência ao pacote de concessões rodoviárias e ferroviárias para 2027 já anunciado pelo governo federal.
O contrato não concede as rodovias à iniciativa privada nem autoriza o início de obras: ele contrata o banco para preparar os estudos técnicos, os projetos de engenharia e as análises de viabilidade econômica que vão subsidiar a futura licitação dos trechos.
Cinco rodovias fazem parte do pacote: a BR-153, com 775 km; a BR-226, com 717 km; a BR-104, com 494 km; a BR-116, com 473 km; e a BR-010, com 678 km. Juntas, somam os 3.137 km mencionados pelo banco e pelo ministério. A previsão é que os projetos estejam concluídos até o fim de 2030, sem data definida ainda para os leilões.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a escolha dos trechos resulta de uma avaliação da malha rodoviária federal feita em conjunto com o Ministério dos Transportes desde 2025, priorizando corredores que integram regiões de expansão da produção agrícola e facilitam o escoamento de cargas até os principais portos e centros consumidores do país.
O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que a estruturação das concessões deve buscar reduzir o custo do pedágio para o usuário e viabilizar a instalação de internet 5G ao longo das rodovias, embora não tenha detalhado os mecanismos nem o cronograma para isso. Ele também citou a política de sustentabilidade da pasta, criada em 2024, que prevê recursos para a transição energética e para a resiliência da infraestrutura rodoviária diante de eventos climáticos extremos.
Para as transportadoras, o anúncio sinaliza continuidade no plano de concessões que o governo já vinha apresentando, mas ainda não traz definições sobre valores de pedágio, prazos de licitação ou regras de operação — pontos que o setor acompanha de perto, já que impactam diretamente o custo logístico das rotas que ligam o Nordeste e o Norte do país a outras regiões, inclusive trechos usados no escoamento de cargas com origem ou destino na Bahia.
Fonte: BNDES e Ministério dos Transportes, via Transporte Moderno
