O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (24), mostrou que o mercado financeiro manteve a projeção da inflação oficial medida pelo IPCA em 5,02% para 2026, ao mesmo tempo em que reduziu a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto do país para 1,95% neste ano.
O documento, resultado da consulta semanal do Banco Central a mais de cem instituições financeiras, indicou ainda que a taxa básica de juros, a Selic, deve encerrar 2026 em 13,75% ao ano. A projeção representa um corte apenas modesto frente ao patamar atual de 14,00%, definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de agosto.
Na ocasião, o Copom optou por reduzir os juros, mas adotou comunicado de tom mais duro, condicionando novos cortes à evolução dos dados de inflação e de atividade econômica nos próximos meses. Para os analistas consultados pelo Banco Central, o ritmo de flexibilização monetária deve ser mais lento do que se esperava até pouco tempo atrás.
O boletim revisou ainda para cima as projeções de inflação e de câmbio para 2027, sinal de que o mercado não enxerga alívio rápido nas condições financeiras do país nem mesmo no médio prazo.
Selic elevada por um período mais longo significa custo do dinheiro mais caro para o setor de transporte rodoviário de cargas, que depende fortemente de financiamento para renovação de frota, capital de giro e aquisição de caminhões, semirreboques e implementos. Taxas acima de 14% ao ano encarecem parcelas de consórcios e financiamentos bancários usados por transportadoras de todos os portes, incluindo empresas de pequeno porte sediadas na Bahia.
A revisão para baixo do PIB de 2026 também é um sinal de alerta para o setor, já que menor atividade econômica tende a se traduzir em menor volume de cargas transportadas por rodovia, afetando o faturamento de autônomos e frotistas que dependem do consumo interno e da movimentação industrial do país.
O próximo Boletim Focus deve ser divulgado na segunda-feira (31), já refletindo eventuais reações do mercado ao noticiário internacional dos últimos dias, cenário que deve continuar sendo acompanhado de perto por empresários do setor de logística.
Fonte: Banco Central do Brasil
