A Confederação Nacional do Transporte (CNT) defendeu uma implementação gradual e tecnicamente criteriosa no aumento do teor de biodiesel no diesel brasileiro durante debate realizado no evento Conexão Rodovias, promovido pela Fecombustíveis nesta semana, em Brasília. A entidade destacou a necessidade de cautela na ampliação da mistura e reforçou que o processo deve ocorrer com melhorias estruturais prévias para garantir a qualidade do combustível entregue ao mercado.
Representando a CNT no painel “Biodiesel: dores, desafios e possíveis soluções”, a gerente executiva ambiental da entidade, Erica Marcos, afirmou que o avanço da mistura deve ser conduzido com responsabilidade técnica e previsibilidade, evitando impactos negativos sobre toda a cadeia do transporte rodoviário.
Segundo a executiva, o crescimento do teor de biodiesel precisa ocorrer de forma gradual e respaldado por critérios técnicos sólidos, garantindo que o combustível mantenha estabilidade e desempenho até chegar ao consumidor final, especialmente os transportadores, diretamente afetados pela qualidade do insumo.
“É essencial que o avanço do teor de biodiesel ocorra de forma paulatina, com base técnica e previsibilidade, evitando externalidades negativas para todos os elos da cadeia e assegurando que o combustível chegue com qualidade ao transportador”, destacou Erica durante o debate.
A entidade reforçou ainda que a ampliação da mistura precisa estar alinhada ao equilíbrio entre as metas de descarbonização e a segurança operacional do transporte rodoviário, evitando que a busca por combustíveis mais sustentáveis gere impactos técnicos ou econômicos negativos ao setor.
Entre as medidas defendidas pela CNT está a implementação de melhorias estruturais na cadeia de distribuição, como a ampliação do número de refinarias e o encurtamento das rotas logísticas, considerando que o biodiesel possui propriedades físico-químicas mais sensíveis que o diesel tradicional.
Outra proposta mencionada foi a possibilidade de transferir o processo de mistura do biodiesel para refinarias, em vez de mantê-lo apenas nas distribuidoras, como forma de ampliar o controle de qualidade e reduzir riscos de degradação do combustível ao longo da cadeia logística.
A CNT também destacou que qualquer avanço no percentual de biodiesel deve passar obrigatoriamente por validações técnicas e testes práticos, conforme previsto na Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que estabelece diretrizes para ampliação do uso de fontes renováveis na matriz energética nacional.
O tema foi um dos principais destaques do Conexão Rodovias, evento voltado à discussão de desafios operacionais enfrentados no transporte rodoviário brasileiro e que reuniu empresários, lideranças setoriais e representantes de entidades ligadas ao segmento de combustíveis e infraestrutura.
Além do biodiesel, a CNT ressaltou que acompanha tecnicamente outras alternativas de combustíveis de baixo carbono para o setor. Entre elas está o diesel verde, apontado pela entidade como uma solução promissora por apresentar estrutura química semelhante à do diesel mineral, permitindo seu uso em caminhões e ônibus sem necessidade de adaptações mecânicas.
Segundo estudo técnico divulgado pela própria confederação, o diesel verde pode contribuir para ganhos de eficiência na combustão e redução na emissão de poluentes, especialmente material particulado, ajudando na descarbonização do transporte rodoviário.
Apesar disso, a CNT alerta que ainda existem desafios importantes para a expansão desse mercado, como custos de produção elevados e necessidade de avanços regulatórios que permitam maior competitividade e escala produtiva no Brasil.
Com isso, a entidade reforça que a transição energética do transporte rodoviário precisa ocorrer com planejamento, segurança operacional e previsibilidade econômica, garantindo que novas soluções sustentáveis sejam implementadas sem comprometer a eficiência e a competitividade do setor logístico brasileiro.