As transformações tecnológicas que devem impactar a logística mundial nas próximas décadas estiveram entre os temas debatidos durante o Congresso Paulista do Transporte Rodoviário de Cargas, realizado em Águas de Lindóia. Durante palestra sobre as macrotendências globais até 2040, o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, Rafael Cervone, destacou a necessidade de adaptação do setor de transportes diante do avanço da tecnologia e da mudança nos modelos logísticos mundiais.
Entre os temas apresentados, Cervone chamou atenção para o crescimento da chamada “economia de baixa altitude”, conceito ligado ao uso do espaço aéreo próximo ao solo para operações envolvendo drones, entregas automatizadas, veículos aéreos e novas soluções de mobilidade urbana e logística.
Segundo o dirigente, a tendência já vem ganhando espaço em diversos países e pode alterar significativamente a dinâmica das cadeias de abastecimento nos próximos anos.
Durante a apresentação, ele citou como exemplo a transformação do setor de varejo e moda, onde a expectativa é reduzir drasticamente o tempo entre a compra e a entrega dos produtos. Em alguns mercados internacionais, a projeção é de entregas realizadas em poucos minutos, exigindo novos modelos de distribuição e infraestrutura logística.
Cervone destacou que países asiáticos já investem em soluções como transporte pneumático subterrâneo, enquanto regiões da Europa avançam no uso de drones para operações urbanas de entrega.
No Brasil, segundo ele, o setor precisará construir seu próprio modelo de modernização logística para acompanhar as mudanças globais e recuperar competitividade regional.
O presidente do Ciesp também ressaltou que o avanço dessas tecnologias exigirá investimentos em integração logística, infraestrutura inteligente e maior colaboração entre empresas e setores produtivos.
De acordo com os dados apresentados durante o evento, a economia de baixa altitude pode movimentar trilhões de reais globalmente nas próximas décadas, impulsionando novas oportunidades de negócios em transporte, tecnologia e logística integrada.
Além da mobilidade aérea, Cervone apontou mudanças estruturais na produção industrial e agrícola, com crescimento de operações urbanas, fazendas verticais e novos centros produtivos mais próximos dos consumidores, fatores que devem impactar diretamente a logística urbana e regional.
Para o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo, Carlos Panzan, o transporte rodoviário precisa acompanhar a velocidade da evolução tecnológica da indústria e ampliar o diálogo com outros segmentos econômicos.
Segundo ele, o objetivo é aproximar o setor das transformações em andamento e estimular reflexões sobre os caminhos que o transporte brasileiro precisará seguir nos próximos anos.
O debate reforçou que a modernização logística deixou de ser apenas uma tendência futura e já começa a influenciar decisões estratégicas relacionadas à infraestrutura, conectividade, distribuição urbana e eficiência operacional no transporte de cargas.