CONSTRUTORA PORTUGUESA MOTA-ENGIL NEGOCIA COMPRA DE 40% DA ODEBRECHT, EMPRESA COM ATIVOS ESTRATÉGICOS NA BAHIA

por Setceb | jul 27, 2026 | Uncategorized

Segundo informação divulgada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e replicada pelo portal Bahia Econômica na manhã deste domingo (26/07), a construtora portuguesa Mota-Engil — descrita como a maior empreiteira de Portugal e uma das maiores da Europa — está negociando a compra de 40% da baiana Odebrecht. A movimentação integra o processo de reestruturação financeira da Odebrecht, que deixou a recuperação judicial em março deste ano.

A Mota-Engil atua nos setores de construção civil, obras públicas, operações portuárias, gestão de resíduos, águas e logística. Seu controle acionário é dividido entre a Mota — Gestão e Participações, holding familiar portuguesa, e a China Communications Construction Company (CCCC), estatal chinesa que também integra o consórcio responsável pela construção da ponte Salvador–Itaparica. Além do negócio com a Odebrecht, a companhia portuguesa também está em processo de aquisição da Bamin Mineração, incluindo o trecho 1 da Ferrovia Oeste-Leste (Fiol) e o Porto Sul — ambos ativos logísticos estratégicos para o escoamento de minério e cargas no interior baiano.

A aproximação entre as duas empresas não é isolada: um consórcio batizado “116 Sertões”, formado por Odebrecht e Mota-Engil, venceu recentemente a concessão de aproximadamente 502 km de rodovias federais que cortam a Bahia e Pernambuco — sendo cerca de 429 km da BR-116 na Bahia, 66 km da BR-116 em território pernambucano e 7,2 km da BR-324/BA, no anel viário de Feira de Santana. A proposta vencedora previu redução de 19,60% sobre a tarifa básica de pedágio, além de obras como a implantação de um contorno viário na travessia urbana de Serrinha e a duplicação de 108 km da BR-116. São justamente essas duas rodovias — BR-116 e BR-324 — as principais rotas de escoamento de carga do estado, e a própria BR-324 vem sofrendo interdições recorrentes nas últimas semanas por problemas de infraestrutura no km 604, em Simões Filho. Um eventual fortalecimento de capital da concessionária responsável por parte dessas vias pode se traduzir em mais recursos para manutenção, duplicação e obras de segurança nesses trechos, com reflexo direto no custo e no prazo do frete rodoviário na região.