O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, interrompendo nesta semana uma sequência de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual que vinha reduzindo o custo do crédito desde março. A pausa, amplamente esperada pelo mercado financeiro, encerra, ao menos temporariamente, o ciclo de flexibilização monetária iniciado após a Selic atingir 15% ao ano.
A decisão foi divulgada em comunicado oficial do Banco Central ao fim da reunião realizada em 3 e 4 de novembro, e seus efeitos repercutiram no mercado financeiro já na quinta-feira seguinte, quando o dólar comercial fechou em alta de 0,68%, cotado a R$ 5,4885, depois de abrir o pregão em queda e inverter de direção ao longo do dia. O Ibovespa, por sua vez, recuou 0,50%, encerrando a sessão nos 166.729 pontos.
Segundo o texto do Copom, o ambiente externo tornou-se mais adverso, com o conflito prolongado no Oriente Médio pressionando os preços do petróleo e elevando a volatilidade nos mercados globais. O comitê também revisou para cima sua projeção de inflação para o horizonte relevante de política monetária, de 3,2% para 3,5%, citando aceleração tanto do índice cheio quanto dos núcleos que medem a inflação subjacente.
O comunicado retirou o trecho que mencionava a magnitude total do ciclo de ajuste, movimento interpretado por analistas de mercado como sinal de que a etapa de cortes pode ter chegado ao fim, ao menos por ora. A autoridade monetária não indicou qual será o próximo passo, mantendo postura de cautela diante da piora das expectativas de inflação e da desaceleração mais acentuada da atividade econômica doméstica, que já mostra os primeiros sinais de perda de ritmo no mercado de trabalho.
No mercado de câmbio, a reversão do dólar ao longo do pregão de quinta-feira foi atribuída ao aumento da aversão ao risco em escala global, com o índice Nasdaq, em Nova York, chegando a recuar mais de 5% no mesmo período. Investidores estrangeiros retiraram cerca de R$ 12 bilhões da bolsa brasileira em apenas oito pregões, segundo gestores consultados pela imprensa especializada.
Analistas ouvidos pela imprensa financeira avaliam que o comportamento do dólar nos próximos dias deve responder menos à política monetária do Banco Central e mais aos sinais fiscais do governo federal, com um pacote de medidas fiscais aguardado para o próximo domingo. A combinação de juros ainda elevados e indefinição fiscal mantém o real sob pressão, mesmo após a sinalização de pausa dada pelo Copom.
Para o setor de transporte rodoviário de cargas, a manutenção da Selic em patamar contracionista por mais tempo do que se previa há poucos meses significa que o financiamento de veículos, implementos e capital de giro — linhas historicamente atreladas a referenciais de juros de mercado, como consórcio, FINAME e leasing de frota — deve continuar caro para as transportadoras que buscam renovar ou ampliar a frota. Associada a isso, a nova alta do dólar encarece insumos importados usados na manutenção dos veículos, como pneus, peças, rolamentos e lubrificantes, pressionando ainda mais a margem das empresas que já operam sob custo elevado de diesel.
Transportadoras e caminhoneiros baianos devem acompanhar de perto tanto o pacote fiscal esperado para o fim de semana quanto a próxima reunião do Copom, marcada para 8 e 9 de dezembro, já que o rumo da Selic e do câmbio nas próximas semanas vai definir se o custo do crédito e dos insumos importados vai aliviar ou continuar pesando sobre o frete rodoviário de cargas no estado.
Fonte: Banco Central do Brasil (Copom) e Jornal de Brasília
