CUSTOS LOGÍSTICOS DO BRASIL DEVEM CHEGAR A 16,1% DO PIB EM 2026, APONTA ESTUDO DO ILOS

por Setceb | out 21, 2026 | Uncategorized

O custo logístico nacional deve atingir R$ 2,2 trilhões em 2026, o equivalente a 16,1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo o estudo anual de custos logísticos do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS). O percentual representa alta em relação aos 15,5% do PIB registrados no levantamento de 2025.

Os dados foram levantados por meio de pesquisa realizada pelo ILOS no primeiro semestre de 2026 junto a mais de 100 das maiores companhias industriais e varejistas do país, selecionadas por faturamento. O sócio-diretor do instituto, Maurício Lima, é o responsável pela análise dos resultados.

Segundo o estudo, o custo com transporte se mantém próximo de 9% do PIB desde 2020, patamar relativamente estável ao longo dos últimos anos. Já o custo com estoques é o componente que mais variou no período: saiu de 2,9% do PIB em 2020 para 5% em 2022, chegou a 5,6% em 2023 e permaneceu nesse mesmo patamar em 2025.

Na ponta das empresas, as despesas logísticas consomem, em média, 9,5% da receita líquida. O setor de materiais de construção é o mais impactado, com peso de 19,8% sobre a receita, enquanto o setor de tecnologia e telecomunicações tem a menor exposição, de apenas 3%.

O levantamento também traz expectativas das empresas para 2027: 69% delas esperam aumento no custo de transporte, com alta média projetada de 9,6%; 44% preveem elevação nos gastos com armazenagem, em média de 5,7%; e 31% esperam alta nos custos com estoques, de cerca de 7,0% em média.

Para Maurício Lima, o custo de movimentar, armazenar e financiar estoques se estabilizou em um patamar bem acima do observado na última década, e a evolução acompanha diretamente o ciclo de juros no país. Com a Selic em patamar elevado, o capital imobilizado em mercadorias passa a pesar mais nos custos das empresas — não apenas pelo volume de estoque mantido, mas também pelo custo financeiro de mantê-lo parado.

Segundo o executivo, o salto registrado em 2022 se consolidou, e o Brasil segue acima de 16% do PIB em custos logísticos três anos depois, sem sinal de alívio no horizonte. Ele avalia que a perspectiva de alta de quase 10% no custo de transporte para 2027, acima da inflação esperada para o período, deve pressionar margens das empresas, preços ao consumidor final e a competitividade do país no comércio internacional.

O resultado reforça um desafio estrutural para o transporte rodoviário de cargas, responsável pela maior fatia da movimentação de mercadorias no Brasil. Mesmo sem alta expressiva no peso relativo do transporte sobre o PIB nos últimos anos, o setor segue operando sob custo financeiro elevado, dado o cenário de juros, o que tende a se refletir em fretes, prazos de pagamento e na competitividade de transportadoras de todos os portes.

O cenário também chega às transportadoras baianas, que disputam contratos de longa distância em um mercado cada vez mais pressionado pelo custo de capital e pela necessidade de financiar estoques e frota em um ambiente de juros ainda altos.

Fonte: MundoLogística