A movimentação do transporte rodoviário de cargas para a Black Friday começa meses antes das promoções de novembro, com o volume de consultas por frete já em aceleração neste início de agosto.
O dado é de levantamento da plataforma Transvias, que reúne cadastro de mais de 8 mil empresas de transporte e é usada por embarcadores para consultar transportadoras, rotas e modalidades de carga em todo o país.
Segundo o levantamento, entre o início de agosto e a primeira quinzena de novembro o volume de consultas por frete na plataforma cresce em média 25%. A procura por operações de carga fracionada, modelo que consolida mercadorias de diferentes embarcadores em um mesmo veículo, sobe ainda mais, com alta de até 28% no mesmo intervalo. Eletroeletrônicos, moda e cosméticos estão entre os segmentos que mais antecipam seus embarques.
O movimento reflete a necessidade de embarcadores revisarem previsões de venda, negociarem capacidade de transporte e reorganizarem estoques com antecedência. Segundo Célio Martins, gerente de Novos Negócios do Transvias, é nesse período que muitos embarcadores começam a revisar previsões de venda, negociar capacidade de transporte e reorganizar estoques, já que quem deixa essa conversa para outubro normalmente encontra um mercado muito mais pressionado.
A antecipação também reflete mudanças no próprio formato da Black Friday, que deixou de se concentrar apenas na última sexta-feira de novembro e passou a se estender por semanas de campanhas, exigindo planejamento logístico mais longo. Martins observa que o desafio do setor mudou de escala: há alguns anos o foco era transportar grandes volumes, e hoje o desafio é entregar mais, para mais destinos e com prazos cada vez menores, o que exige planejamento e inteligência logística.
Para transportadoras e caminhoneiros autônomos, inclusive os que atendem cargas com origem ou destino na Bahia e no restante do Nordeste, o alerta é direto: negociar contratos e definir capacidade disponível já em agosto tende a garantir condições comerciais mais favoráveis do que aguardar a proximidade de novembro, quando a disputa por veículos e rotas se intensifica e os fretes spot ficam mais caros. A tendência também reforça a importância de investimento em carga fracionada e em roteirização eficiente para atender a pulverização crescente das entregas de e-commerce.
Fonte: Transporte Moderno