O ano começou capenga para quem fabrica reboque, semirreboque e carroceria no Brasil: apenas 8.760 unidades emplacadas em janeiro, o pior mês do semestre. Dali em diante, porém, os números foram melhorando aos poucos — 9.870 em fevereiro, um salto para 12.211 em março, leve acomodação para 11.767 em abril e 11.810 em maio — até junho fechar como o melhor mês do ano, com 12.318 implementos licenciados, alta de 4,3% ante maio.

Mesmo com essa reação no fim do semestre, a conta de janeiro a junho ainda fecha no vermelho: foram 66.736 unidades emplacadas, 7,5% a menos que as 72.179 do mesmo intervalo em 2025. O retrato dos últimos doze meses corridos (julho de 2025 a junho de 2026) confirma a tendência de baixa, com 143.759 implementos vendidos ante 156.037 no ciclo anterior — recuo de 7,9%.

Nem todos os segmentos sofreram do mesmo jeito. Reboques e semirreboques levaram o golpe mais duro, com 32.452 unidades no semestre contra 35.827 um ano antes — queda de 9,42%. Já as carrocerias montadas sobre chassi seguraram melhor a onda, recuando 5,69%, de 36.352 para 34.284 unidades vendidas.

Na avaliação de José Carlos Spricigo, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), o crédito liberado pela segunda fase do Move Brasil simplesmente ainda não virou venda fechada — os negócios estão em andamento, e o efeito real só deve aparecer nos balanços dos próximos meses. Mesmo assim, o dirigente evita depositar toda a esperança do setor num único programa: “ainda precisamos que sejam tomadas outras medidas que forneçam uma base sólida de crescimento na economia como um todo. É fundamental que os empresários tenham uma visão de futuro de curto e médio prazo, onde haja certeza de estabilidade para que as decisões de negócios sejam tomadas com segurança”, avalia.