O resultado das eleições para o Congresso Nacional trouxe renovação parcial entre os parlamentares que atuam diretamente com pautas de infraestrutura de transporte, com a saída de nomes que relatavam projetos estratégicos para o setor e a permanência de outros ligados a temas como piso mínimo do frete, concessões rodoviárias e regulação da ANTT.
O levantamento foi divulgado em blog especializado em infraestrutura, que mapeou os deputados e senadores reeleitos e os que deixarão o Congresso a partir do próximo ano, com base no resultado das urnas.
Entre os reeleitos na Câmara dos Deputados estão Cláudio Cajado (PP-BA), ex-presidente da Comissão de Viação e Transportes (CVT), colegiado que trata de concessões rodoviárias e ferroviárias, portos, aeroportos e temas correlatos; e Zé Trovão (PL-SC), que atuou na política de piso mínimo de frete para o transporte rodoviário de cargas e liderou negociações em torno da Medida Provisória do Frete, pauta que afeta diretamente caminhoneiros, transportadoras e produtores.
Também foram reeleitos Paulo Alexandre Barbosa (PSD-SP), vice-presidente da CVT e presidente da Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos, que acompanha de perto o projeto do Tecon Santos 10, capaz de ampliar em cerca de 50% a capacidade de contêineres do Porto de Santos; e Hugo Leal (PSD-RJ), que participou de debates da CVT sobre infraestrutura e logística e é citado como um dos autores da atual lei das debêntures de infraestrutura.
Do lado das saídas, dois nomes se destacam: Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que não concorreu à reeleição após nove mandatos e foi relator do projeto de reformulação do marco legal de concessões e PPPs — proposta hoje parada no Congresso, que ele afirmou que deve voltar a tramitar no Senado após as eleições —, e Arthur Maia (União-BA), não reeleito, que relatava o novo marco legal dos portos, também travado desde meados do ano por falta de acordo entre trabalhadores portuários e empresas privadas.
No Senado, a renovação foi ainda mais expressiva: de 54 cadeiras em disputa, 32 senadores concorreram à reeleição e 18 não conseguiram se reeleger. Entre as baixas está Esperidião Amin (PP-SC), que atuava na Comissão de Infraestrutura (CI) em pautas de rodovias e concessões em Santa Catarina.
Permanecem no Senado até 2031 nomes como Wellington Fagundes (PL-MT), presidente da Frente Parlamentar de Logística e Infraestrutura (Frenlogi) e relator das indicações de três diretores da ANTT, e Tereza Cristina (PP-MS), que se dedica à logística da produção agrícola no Centro-Oeste e participou de discussões sobre política de frete — ambos nomes que devem seguir influenciando diretamente a agenda regulatória do transporte rodoviário de cargas no próximo mandato.
Para o setor de transporte de cargas na Bahia, a recomposição do Congresso importa de perto por dois motivos: a reeleição de Cláudio Cajado mantém um baiano em posição de influência sobre a pauta de concessões rodoviárias que inclui o próprio estado, enquanto a saída de Arthur Maia retira do debate um relator que acompanhava de perto o marco dos portos, com potencial impacto sobre projetos portuários baianos. Transportadoras e embarcadores do estado devem acompanhar como a nova composição da Câmara e do Senado recompõe as comissões de infraestrutura e retoma, ou não, propostas como o marco das concessões e dos portos a partir de 2027.
Fonte: CNN Brasil, blog de Jenifer Ribeiro
