A Petrobras confirmou que, a partir de julho, uma parcela do diesel vendido pelas refinarias às distribuidoras precisará vir de fora do país. O anúncio foi feito pela presidente da estatal, Magda Chambriard, em coletiva de imprensa no dia 25 de junho, encerrando um período de três meses em que a empresa conseguiu abastecer o mercado interno sem recorrer a compras externas.
O motivo é a entrada em uma fase de paradas programadas para manutenção e obras nas refinarias — cronograma que vinha sendo adiado havia meses por conta do conflito entre Irã e Estados Unidos, que disparou o preço do petróleo no mercado internacional. Para segurar o abastecimento durante a escalada da tensão geopolítica, a Petrobras chegou a operar com 97,4% de utilização do parque de refino, produzindo recordes de diesel S10 (512 mil barris/dia) e S500 (715 mil barris/dia somados). Hoje, cerca de 30% do diesel consumido no Brasil já vem de importação, com a Petrobras respondendo por 70% da produção nacional.
A retomada das compras externas ocorre num momento sensível para a política de preços de combustíveis. Desde o fim do Preço de Paridade de Importação (PPI) em maio de 2023, a Petrobras passou a ter mais liberdade para descolar seus preços da referência internacional, chegando a fixar o diesel 18,1% abaixo do PPI estimado em março deste ano. Voltar a importar em meio a esse cenário reacende o debate sobre até que ponto a empresa consegue segurar os preços internos sem repassar o custo mais alto do combustível vindo de fora.
Para o transporte rodoviário de cargas, o tema é crítico: o diesel responde por 30% a 40% do custo de uma operação de frete, podendo chegar a 45% em rotas longas. Qualquer novo ciclo de alta tende a pressionar diretamente a margem de transportadoras e, principalmente, dos caminhoneiros autônomos.