O dólar fechou a sessão desta segunda-feira (26) cotado a R$ 5,4066, alta de 8,36% ante o fechamento da sexta-feira anterior — a maior valorização diária da moeda americana frente ao real em 23 anos. O Ibovespa, por sua vez, recuou 13,88%, a 176.608,23 pontos, a maior queda percentual em um pregão desde 16 de março de 2020.
O movimento foi uma reação do mercado financeiro à confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições, realizado no domingo (25). Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato Flávio Bolsonaro (PL), resultado que boa parte dos investidores não esperava.
A volatilidade levou a B3 a acionar o circuit breaker logo na abertura dos negócios e a ampliar, ao longo do dia, os limites de variação diária para os contratos futuros: o limite inferior para o Ibovespa futuro passou de 10% para 15%, e o limite superior para os futuros de dólar, de 6% para 8,4%. Pela manhã, a cotação do dólar chegou a romper a marca de R$ 5,60 antes de recuar ao longo do pregão.
A última vez que o dólar havia fechado em patamar tão elevado foi em 2 de janeiro deste ano. Em termos de variação diária, a alta registrada ontem só fica atrás da verificada em 5 de março de 2003, de 10,4%.
Diante da turbulência, o Banco Central chamou à cautela. Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas da autarquia, afirmou que "é muito cedo para afirmar algum impacto hoje" sobre o balanço de pagamentos do país, e ponderou que parte da depreciação cambial registrada pode reverter nos próximos dias, enquanto outra parte pode ser mais permanente.
O Boletim Focus mais recente, com dados coletados antes do resultado eleitoral, já havia reduzido a projeção para o dólar ao fim de 2026 de R$ 5,13 para R$ 5,05, e para o fim de 2027, de R$ 5,22 para R$ 5,15 — projeções que tendem a ser revisadas para cima nas próximas semanas diante do novo patamar da moeda.
Nesta terça-feira (27), o Banco Central tem agenda carregada para tentar conter a volatilidade: às 11h, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, concede coletiva de imprensa sobre o Relatório de Estabilidade Financeira; às 11h30, está previsto um leilão de rolagem de swap cambial de até US$ 4 bilhões; e, às 12h, uma operação compromissada de até R$ 5 bilhões em títulos públicos.
No pré-mercado desta terça, ativos ligados ao Brasil no exterior, como o ETF iShares MSCI Brazil (EWZ) e os recibos de ações (ADRs) de Petrobras, Bradesco e Itaú, operavam em alta, sinalizando possível correção no pregão local — sem garantia, porém, de que o movimento se confirme ao longo do dia.
No cenário político, o presidente eleito busca apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para viabilizar sua agenda em um Congresso de maioria considerada desafiadora para a governabilidade em 2027.
Para as transportadoras da Bahia, a disparada do dólar e a instabilidade nos mercados mantêm o setor em compasso de espera quanto a reajustes de frete e ao custo do capital para renovação de frotas: caminhões, implementos, pneus e peças com componentes importados tendem a ficar mais caros, assim como o financiamento bancário, enquanto o próprio Banco Central reconhece que ainda é cedo para dimensionar o tamanho real do impacto.
Fonte: InfoMoney, com informações de O Tempo/Folhapress
