O dólar comercial fechou na terça-feira (6) cotado a R$ 4,9745 na venda, com queda de 0,55% frente ao real. É o menor valor da moeda norte-americana desde 12 de maio, reflexo da reação do mercado financeiro ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026.
A informação foi divulgada por veículos especializados em economia, como CNN Brasil e InfoMoney, que acompanharam a cotação da moeda ao longo do pregão. Segundo as publicações, o movimento de queda é impulsionado pela leitura que investidores fazem do resultado eleitoral, que colocou o candidato Flávio Bolsonaro (PL) na frente do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa que agora vai para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
No acumulado do ano, o dólar já recua 9,37% frente ao real. Analistas ouvidos pela imprensa avaliam haver pouca probabilidade de uma reviravolta de Lula na etapa final da disputa, leitura que tem sustentado o apetite de investidores por ativos brasileiros nos últimos dias.
O otimismo do mercado também apareceu no comportamento das taxas de juros futuros. Os contratos de DI para janeiro de 2028 recuaram cinco pontos-base, para 12,61%, enquanto os papéis com vencimento em janeiro de 2035 caíram sete pontos-base, para 12,725%. A leitura predominante entre analistas é de que um eventual governo de Flávio Bolsonaro seria mais propenso a promover o ajuste das contas públicas, o que reduz o chamado risco fiscal embutido no preço dos ativos.
O movimento é a continuidade de uma reação ainda mais intensa registrada na segunda-feira (5). Logo após os primeiros resultados, o Ibovespa chegou a saltar 8% em determinado momento do pregão, até atingir a máxima histórica de 209.522,60 pontos, enquanto o dólar chegou a cair 4,26%, rompendo o piso de R$ 5. Ações de empresas brasileiras negociadas no exterior também registraram forte valorização: Petrobras subiu 10%, Itaú Unibanco 12%, Bradesco 11%, Embraer 6%, Mercado Livre 6% e Nubank 10%, segundo o noticiário econômico.
Na terça-feira, o Ibovespa fez um movimento de realização de lucros após o rali da véspera, recuando 0,52% e encerrando o dia em 205.835,29 pontos. O recuo é interpretado por analistas como natural após uma valorização tão acentuada em um único pregão, sem indicar mudança na percepção positiva do mercado sobre o cenário eleitoral.
A queda do dólar não se restringiu ao Brasil. A moeda norte-americana também cedeu frente a outras divisas de países emergentes, como o rand sul-africano e os pesos mexicano e chileno, com o índice do dólar recuando 0,31% no mercado internacional. Especialistas explicam o movimento pelo fluxo de capital estrangeiro: conforme investidores de fora aplicam recursos no Brasil, seja via títulos públicos, seja pela bolsa de valores, precisam vender dólares e comprar reais, o que pressiona a cotação da moeda americana para baixo.
A atenção do mercado financeiro agora se volta para o segundo turno, em 25 de outubro, e para os sinais que os dois candidatos remanescentes darão sobre política fiscal e investimentos em infraestrutura nas próximas semanas de campanha.
A trajetória de queda do dólar tende a repercutir diretamente nos custos de transportadoras e embarcadores. Itens importados usados pelo setor, como pneus, autopeças e equipamentos, ficam proporcionalmente mais baratos, assim como o petróleo, cotado internacionalmente em dólares e insumo direto na formação do preço do diesel no mercado interno. Para as empresas de transporte rodoviário de cargas da Bahia, que dependem de insumos e peças importadas para manter suas frotas, a valorização do real representa um alívio, ainda que moderado, em um momento de custos operacionais elevados.
Fonte: CNN Brasil e InfoMoney
